Sharon Fiedler 12 / 11 / 2019

Merece o hype?

Hoje vou trazer para vocês o Review do Tom Clancy's Ghost Recon Breakpoint. A minha preferência pessoal seria falar de um jogo acabado, no sentido de ter jogado todo o conteúdo disponível, mas hoje em dia é raro um jogo oferecer de 30 a 60 horas e acabar por aí.

Breakpoint ainda tem muito contudo pela frente e talvez eu tenha a oportunidade de falar sobre isso depois. Mas hoje vou falar do vanilla, porém, eu queria abordar este review de uma forma diferente da maioria. Quero falar primeiro, apenas do “Breakpoint”, não quero falar da franquia Ghost Recon, nem da série Tom Clancy’s e isso tem dois motivos:

Primeiro, eu nunca tinha jogado um Ghost Recon até o Breakpoint então pude jogar tanto o beta fechado, beta aberto e o day one do Breakpoint sem alguma influência externa, nem pré-conceitos, eu joguei apenas um jogo e é isso que eu quero avaliar primeiro.

O segundo motivo é que obviamente eu fiquei sabendo logo das notas e reviews terríveis que jogo recebeu, e claro eu assisti e li vários desses reviews, mas todos vieram sempre carregados do peso de “Tom Clancy's” e “Ghost Recon”, não que isso não tenha relevância, mas eu acho que primeiro a gente tem que ver o jogo pelo que ele é, depois a gente conecta ele com as outras coisas. Vou falar sobre alguns destes pontos um pouco mais pra frente. Para isto, é claro que eu estudei o universo Ghost Recon primeiro, para poder dar uma opinião mais sensata.

Não, não estou preparando o terreno para um Review bonzinho, separando as coisas para poder dar desculpas, será um review sincero e espero que tenham paciência para ler tudo!

Ready? Go!

Breakpoint é mais um Looter Shooter em 2019, mais um na longa lista de jogos deste gênero que temos hoje. Além de alguns jogos lançados a mais tempo, porém muito relevantes pela constante atualização dos títulos como Destiny 2 e Warframe, também tivemos diversos lançamentos nos últimos 12 meses como Fallout 76, Anthem, The Division 2, Borderlands 3. Tem gente que colocaria até Monster Hunter World e Red Dead Redemption 2 nesta lista. Claro, cada IP tem o seu jeitinho e qual destes é o melhor sempre vai depender da preferência de cada jogador.

Mas o que então faz a diferença? Acredito que o universo em que se passa o jogo é muito importante, e a jogabilidade. Estilo de progressão e narrativa. Afinal, são estas as coisas que vão fazer você passar tempo com o jogo!Vamos falar do mundo primeiro. O joga se passa em um arquipélago, o conjunto de ilhas Aurora. Isso quer dizer pouco espaço? De forma alguma! O mundo de Breakpoint é imenso, tão imenso que contém diferentes biomas, então você não vai se entediar de sempre olhar para o mesmo ambiente.

Neste sentido Breakpoint é perfeito para mim, e eu amo mundos abertos e vastos, mas ao mesmo tempo odeio (de uma forma boa). Um mundo aberto bem feito é aquele que me distrai das missões principais e nisso Breakpoint também não peca, já que ele te libera logo depois da primeira cutscene para você explorar o mundo como bem entender (se quiser), mas vou falar disso depois.

Bonito, sim. Perfeito, não.

Em termos gráficos o mundo é lindo. O detalhe gráfico das paisagens é surreal. Você tem montanhas, neve, florestas, pântanos, praias e muito mais! Tudo isso repleto de diferentes folhagens e animais lindos. Até a arquitetura é interessante! Você tem estruturas mais simples dos nativos que já moravam na ilha e outras modernas e futurísticos que a Skell Technology construiu.

Você tem a opção de atravessar estas paisagens com veículos o que é muito mais rápido e eficiente, mas você também deixará de ver estes detalhes das paisagens. Como eu gosto de ver os detalhes que o mundo tem a oferece, muitas vezes dou preferência a caminhar do ponto A ao ponto B e sempre me surpreendo quando vejo um animal ou flor nova. Para mim a paisagem é um protagonista e os artistas da Ubi fizeram um excelente trabalho.

Falando em artistas, vamos falar das animações dos personagens. Aqui a situação é mais 8 ou 80! Tem personagens principais muito bem animados, inclusive o seu próprio personagem “Nomad” pode ficar extremamente realista. Se bem que eu achei as opções de personalização masculinas mais interessantes que as femininas. Agora o vilão Walker tem horas que me lembra o Jack Nicholson no Iluminado, é de dar arrepiar. Porém outros personagens não foram tão bem acabados e as animações são mais simples, existem até personagens aleatórios no mundo que falam sem mexer os lábios.

Você faz o seu estilo

O próximo ponto que mencionei é a jogabilidade! Breakpoint oferece muita variedade em como você pode jogar não só pelas diferentes classes, mas também pelas diferentes habilidades. Você também não fica preso a uma classe, você pode trocar quando quiser em um Bivouac. Há também diferentes classes de armas, rifles, escopetas, metralhadoras e pistolas. Tem o CQC que seria o combate corpo a corpo ou como gosto de chamar os finalizadores. Gosto dessa variedade de sentir que um modelo de pistola é diferente do outro, não é só uma skin. Os finalizadores também são variados dependendo da situação, não é sempre a mesma coisa e não deixa a jogatina ficar monótona.

Como o mundo oferece vários tipos de inimigos, tanto humanos quanto uma série de drones e torres, em grupos pequenos ou grandes dependendo do local, você pode escolher abordagens mais agressivas ou mais furtivas. O jogo incialmente foi desenhado para ser jogado em grupo, mas como eu gosto de tomar o meu tempo para observar os lugares por onde eu passo, eu joguei mais sozinha. Senti que em certos lugares teria sido vantajoso ter um grupo para ajudar, o que me forçou a ser mais tática em certas situações. Acredito que é isso que o jogo quer que você faça, que você pense antes de entrar em uma batalha.

Fácil? Nem tanto. Fluído? Certamente.

Na dificuldade normal o jogo inicialmente parece ser fácil. Mesmo com um nível de equipamento baixo, um tiro na cabeça normalmente mata, mas precisa ter precisão. O problema na diferença de níveis é a letalidade dos inimigos, uma bala pode te matar também, e drones são muito mais resistentes. Me senti obrigada a deixar certos lugares para depois e isso é bom.

Quanto a movimentação, achei o combate bem fluido, agachar, deitar, esquivar, utilizar coberturas, se camuflar. É um combate bonito! Mas a movimentação fora do combate apesar de parecer ser bem realista como por exemplo escalando diferentes níveis de inclinação como descendo ou escorregando destas inclinações, é um pouco estranha. Acredito que isso é porque Nomad nunca esta desarmado e não tem como guardar a arma, você só pode trocar entre elas. Logo a movimentação é realista, mas estranha.

No geral acho a jogabilidade boa e me diverti! Porém o Breakpoint trouxe desde o lançamento uma série de bugs que travam essa jogabilidade, de bugs com hud a obstáculos ou buracos invisíveis. Já houve melhorias, mas um mês depois ainda preciso reiniciar a sessão a cada duas ou três horas por causa de um problema desse tipo.

Evolução e progressão

Quanto a progressão, essa é uma das coisas que mais me prende no Breakpoint e mas faz passar horas jogando. Já mencionei que há diferentes classes e habilidades. As classes podem ser evoluídas individualmente cumprindo certos objetivos, já as habilidades podem ser liberadas obtendo experiencia e subindo de nível.

Breakpoint também tem os elementos de RPG com nível de equipamento, tanto das armas quanto da “armadura” que vão de comuns a lendárias, cada nível trazendo mais benefícios. O jogo é bem generoso na quantidade de loot que te da, você praticamente não faz nenhuma atividade sem ganhar nada por isso, mas isso não quer dizer que o seu nível de equipamento vai subir na mesma proporção já que é uma média de todos os 8 itens equipáveis.

Como eu disse, eu gosto desse elemento, acho que um looter tem que ser assim, mas ao mesmo tempo não senti que faz tanta diferença como deveria, o que importa é o nível total do seu equipamento e não necessariamente cada peça e a sinergia com as habilidades. Não sinto a necessidade de fazer builds, eu posso simplesmente jogar e isso quebra o elemento de jogo tático e estratégico que sinto que o Breakpoint quer ser.

Uma história digna?

Por último a narrativa. Não vou falar da história para não dar spoilers, mas ele é interessante, o vilão é bom, as histórias e os personagens paralelos também. As cutscenes contam bem também o presente e o passado.

Apesar da sensação inicial de “mas o que foi que aconteceu, preciso descobrir”, o mundo rapidamente me fez esquecer do que eu precisava fazer e como eu falei, isso é bom e ruim para mim. Isso quer dizer que a imersão do mundo está funcionando, mas talvez também quer dizer que a narrativa precisa ser mais forte, mais envolvente, mais pessoal.

A narrativa é boa, mas não é espetacular. Como falei lá atrás, se você quiser não precisa nem fazer a primeira missão, bom, talvez a primeira parte para liberar o Hub, mas você pode ir atrás do vilão logo de cara se quiser e isso também afeta a narrativa e talvez até a sua motivação para jogar.

Para mim seria perfeito se existisse um equilíbrio, um constante conflito entre “quero saber como a história continua, mas quero ver o que é aquele barraco ali”, sabe?

Primeira conclusão: jogo individual.

Concluindo, para o Brakpoint Vanilla eu dou nota 7, curti o mundo, a jogabilidade e a história, daria 8 se não fossem os bugs, mas tenho certeza que o jogo tem potencial para muito mais e provavelmente terá uma cara completamente diferente um ano após o lançamento, ainda tem muito conteúdo pela frente e a Ubi quer fazer diversas alterações no jogo para agradar o seu público.

E quanto ao universo Ghost Recon?

Sinceramente eu me surpreendi quando descobri que o Ghost Recon é de 2001, é uma série muito antiga isso me fez entender um pouco a cobrança dos jogadores e dos críticos.

Ghost Recon é para ser difícil e extremamente tático, e o Breakpoint não é. A série na verdade foi mudando conforme o público foi mudando, e entendo que uma empresa precisa fazer um jogo para a maioria e não a minoria velha guarda, afinal os números precisam agradar os acionistas.

Pode ser um Ghost?

Confesso que depois de ter estudado os primeiros Ghost Recons, eu também queria que o Breakpoint tivesse sido assim, gosto de jogos difíceis que me fazem pensar.

Outro elemento básico da série é você controlar um esquadrão inteiro. Sem esse elemento o Breakpoint poderia ser o The Division 2. Tudo bem que o esquadrão foi substituído pelos amigos, mas acredito que nesse ponto o Breakpoint perdeu a essência.

Segundo a Ubisoft, vai levar um tempo, mas este elemento será introduzido futuramente!

Tira essa farda

Agora, comparando o Breakpoint diretamente com o Wildlands que foi o seu antecessor, literalmente ficou metade melhor, metade pior. Elementos visuais melhoraram muito, por exemplo, os veículos melhoraram, mas certas mecânicas pioraram, a movimentação também e por aí vai.

É claro que o público sempre vai querer algo melhor do que o antecessor, nós vivemos nesta era de inovação e melhorias constantes então é inconcebível para o público que a sequência não supere o antecessor. Então o fato do Breakpoint ser parte da série Tom Clancy's e ser um Ghost Recon é uma vantagem e uma desvantagem ao mesmo tempo. Ser conhecido quer dizer que já terá um certo público esperando pelo jogo, mas isso também cria muitas expectativas, do que deve ser, do que não deve ser, etc.

E assim também, ele não será comparado não apenas aos outros looter shooters lançados recentemente conforme mencionei no começo do texto, mas também aos outros jogos da própria serie.

Penso que se o Breakpoint tivesse sido lançado apenas assim, sem fazer parte da franquia, teria recebido notas um pouco melhores, mas não sendo assim, ele teria que ter sido nada menos que espetacular para alegrar as massas.

Eu quero sempre mais?

Outro problema pode ser a saturação do mercado, além de existirem títulos similares você tem uma longevidade muito maior dos jogos, muitas pessoas não jogam mais apenas 30 ou 60 horas, elas passam um ou dois anos jogando o mesmo jogo graças ao serviço de atualização dos jogos. Isso é bom, pois você tem muito mais conteúdo pelo dinheiro que pagou, certo? Mas ao mesmo tempo, se sequencias são lançadas apenas um ou dois anos depois, nem deu tempo ainda de ter saudade!

A boa notícia é que a Ubisoft como em outros títulos está prestando atenção e está ouvido o seu público. Reconheceram que o Breakpoint falhou, provavelmente mais de um ponto financeiro, mas estão cientes que precisam agradar os jogadores.
Além de ainda ter muito conteúdo planejado pela frente, há também a promessa da Ubi de continuar apoiando o Breakpoint e de melhorar os aspectos do jogo conforme os comentários dos jogadores.

Ou seja, estou ansiosa para ver o futuro do Breakpoint! Como falei lá no começo, acredito que daqui a um ano, vai ser muito diferente, muito melhor.

Segunda conclusão: O jogo dentro da franquia Ghost Recon

Para concluir, não acho justo a forma como o Ghost Recon Breakpoint foi avaliado. GRB vanilla não foi lançado completamente quebrado como na versão inicial de Fallout 76 e não é um mundo onde não se tem o que fazer após 20 horas de jogo como no Anthem quando nasceu. Estes de alguma forma receberam notas melhores, mas mesmo meses depois de terem sido lançados, ainda não sei dizer se valeria a pena pagar por estes títulos, a falta de transparência da EA e as atitudes duvidosas da Bethesda me dão certeza disso. Já a Ubisoft tem historias de redenção a seu favor como The Division 1 que não foi tão diferente do que é com o Breakpoint hoje.

Boa sorte Ghosts, vejo vocês em breve!