fegarusso 07 / 04 / 2020

Lovecraft não ficaria satisfeito

Publisher: Funcom
Developer: Rock Pocket Games, Dreamloop Games
Gênero: Adventure, Horror (Aventura, Horror)
Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, Microsoft Windows

A desenvolvedora de Secret World Legends, Funcom, mergulha na criatividade de H.P Lovecraft em Moons of Madness, um título de horror cósmico para um jogador usando materiais genéricos modernos. Em sua missão de se tornar um Outlast interestelar, acaba nos deixando em dúvida sobre o que exatamente é; um suspense, um survival horror ou um pesadelo existencial. O que transparece é uma mistura insatisfatória de coisas, vagamente colada por uma narrativa feita às pressas e com pouca criatividade.

É um jogo decepcionante, pois a premissa é imediatamente intrigante. Você interpreta Shane, um técnico em uma estação de pesquisa de Marte, encarregado de navegar por corredores apertados, que foram infestados pela flora de outro mundo. Enquanto seus camaradas perdem a cabeça (literalmente até), um livro mitológico e o passado esquecido de Shane podem ser a chave para desvendar os acontecimentos enigmáticos. Lamentavelmente, após um prólogo convincente e até empolgante, o jogo diminui seu ritmo de forma enlouquecedora pela próxima hora ou mais e assim se mantém. Por meio de alguma tentativa equivocada de realismo, a jogabilidade consiste em tarefas letárgicas no espaço. Enfadonho, mal feito, pura encheção de linguiça pra justificar que o jogo tenha algo a se fazer e que seja minimamente vendável.

É claro que, quando os animais chegam, e deixa de existir apenas a flora, sua missão se adapta rapidamente à sobrevivência, mas até mesmo as sequências de perseguição não empolgam, não demonstram riscos nem despertam uma palpitação sequer, em parte devido a problemas consistentes na taxa de quadros (sim, até nisso o jogo é ruim) e em parte porque o horror que foi ali posto depende que você se assuste com coisas absurdas, num roteiro feito numa mesa de bar por um bando de bêbados sem imaginação, que conseguem deixar, em parte, e estranhamente, alguns inimigos até meio que fofinhos no meio de um jogo de terror.

Os visuais são, de longe, a parte mais impressionante dessa jornada chata, medonha de ruim e sem nenhum sentido em torno de Marte, já que vários ângulos de câmera e monstros cheios tentáculos a la Lovecraft dão ao jogo uma estética cinematográfica que lembra o primeiro filme da série Alien. Mas este é o único ponto elogiável. De resto, fujam, não pelo medo que o jogo proporciona, mas pelo risco de gastar seu suado dinheiro apenas para morrer de tédio.