Marlos Sanuto 11/08/2016

Crítica – Esquadrão Suicida

A Culpa é da Tesoura?

By Marlos Sanuto "O presente texto não contem spoilers significativos. Mas se voce é daqueles que considera qualquer comentario uma afronta grave. Aconselho assistir o filme primeiro de depois vir se divertir aqui" Dirigido e roteirizado por David Ayer. Com: Will Smith, Margot Robbie, Viola Davis, Jared Leto, Common, Jai Courtney, Jay Hernandez, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Cara Delevingne, Joel Kinnaman, David Harbour, Ike Barinholtz, Alain Chanoine, Adam Beach, Karen Fukuhara, Scott Eastwood, Ezra Miller e Ben Affleck.Mesmo com a expectativa bem baixa, como faço com tudo ultimamente, eu ainda alimentava o sentimento de diversão “free”. E confesso que foi oque encontrei nos primeiros minutos do filme. Alertado pelos trailers eu já esperava o visual “malhação” mega colorido e grafitado. Confesso que não me incomodou tanto e até pensei que poderia dar certo para a molecada não tão ligada em heróis. Mas nos primeiros minutos, já vemos um medley meio desajeitado cenas de apresentação e musicas que pareciam mais preocupadas com a divulgação no spotfy. E que lançam um novo estilo de roteirizar. Ao invés de diálogos expositivos temos as “playlists expositivas”.Canções que saltam o obvio em cada personagem. E mesmo se você não esta em dia com o idioma da Rainha, não se preocupe. Em cada aparição tem uma ficha mega colorida com as principais características de cada um. Conforme a implacável Amanda Waller (Viola Davis) faz sua explanação aos superiores. Segundo ela, recrutando os “piores dentre os piores”(aonde o capitão bumerangue é o pior dos piores, mas ok). Os outros são, “o pistoleiro” (Smith), Arlequina (Robbie), Crocodilo (Akinnuoye-Agbaje), El Diablo (Hernandez) e Amarra (Beach) - Nossa... Vou nem comentar do Amarra... Só faltou uma cena de refeição de ação de graças. Minorias étnicas. Fazer oque...A mais poderosa de todos, porém, é Magia. Uma entidade antiga que ocasionalmente controla o corpo de June Moone (Delevingne). Mas algo, sai errado – é mesmo é? – e o plano de Waller se torna exatamente o tipo de problema cuja equipe foi concebida para enfrentar. (responsabilidade que seus superiores convenientemente ignoraram).Como se não bastasse a longa apresentação – foi divertida, vai... – David Ayer dedica varias cenas de flashback para justificar personagens como Katana (Fukuhara) e Arlequina em detrimento de diálogos entre os próprios protagonistas. Que seriam fundamentais para justificar os laços que se formam rapidamente entre eles. Alem de divertidos para o publico. Infelizmente, o mesmo diretor responsável pelos ótimos “Reis da Rua” e “Corações de ferro”, não consegue salvar seu próprio roteiro. Que é piorado pelo seu estilo de filmagem. E falha ao não retratar situações de criminosos usados em combate que eram comuns em guerras contemporaneas. E que poderiam render boas cenas de "Black Ops." menores.O vilão final é apresentado muito cedo. Quase todo o filme é uma pseudo “Road movie” rumo ao encontro com o “Boss Final”. Podemos comparar com “Dead Pool” que tem um roteiro simples com basicamente 3 locações. E usa um estilo não linear para que o publico não sinta isso como defeito. Além disso, o cineasta nem mesmo se preocupa em disfarçar o visual grotesco dos monstros criados pela vilã. Que tem o propósito de permitir que estes sejam massacrados sem que isto comprometa a classificação indicativa do filme.

Personagens

Felizmente a parte que salva o filme de alguma forma são seus protagonistas e suas cômicas interações. Will Smith se mostra dedicado ao personagem. Fez treinamento com as forças especiais como preparação, e oferece um pistoleiro muito convincente. E entrega bem quando é exigido em partes dramáticas e em cenas de ação. Detalhe para o visual “Tuninho do Diabo” em que aparece com a filha e confrontando o próprio Batman (Affleck). Que tem aparições pontuais durante flashbacks, mas é como Bruce Wayne que brilha ao confrontar Amanda Waller a altura. Viola Davis que entrega uma Waller implacável. Uma das únicas personagens que não parece estar em um filme de herói, tamanha seriedade. E que destoa, de forma positiva, das “piadocas” que surgem quando menos se espera. Mesmo em cenas dramáticas. Arlequina, com uma caracterização impecável, é sem duvida a estrela do filme ao lado do pistoleiro. A despeito de seus trajes sumários é uma personagem que usa a sedução como forma de distrair seus oponentes. E dotada de uma loucura e insanidade quase infantil. Quase um super poder.O que nos traz ao Coringa de Jared Leto. Que como ator faz um trabalho excepcional. Em minha opinião o problema está no conceito do Coringa que lhe foi pedido. O mesmo entrega um coringa ostentador, sistemático e organizado (Quase com TOC). Que nada se assemelha ao coringa caótico e que queima montanhas de dinheiro, porque sim. Assemelha-se talvez, mais ao polêmico Coringa do Scott Snyder que atualmente responde pelas HQs do Batman. O mesmo é transformado em uma coleção de tiques e obviedades como a palavra “Damage” na testa. Como se precisasse explicar alguma coisa. Sua unica função na história é fundamentar o background de um personagem feminino que "não" precisa de afirmação. E por si só ja se sustenta. E independe desse pseudo romance que deixou de cabelos verdes, os fãs mais "letrados".A “Magia” (Cara Delevingne), foi uma grata surpresa. Pelo menos nos primeiros 15 minutos. Embora sua apresentação seja ótima (a cena da mão é espetacular), eles mudam seu conceito e se torna mais uma caricatura com um plano confuso e sem sentido. Os outros membros da equipe apenas complementam, e tem seus momentos em algumas situações. Destaque para “El Diablo” que tem um arco interessante. Mas como toda minoria étnica em filme americano... Né...?! Deixa pra La...

Conclusão

O filme não é de todo ruim. E ainda foi envolvido em polemicas que mencionam que o corte final foi feito por uma empresa de marketing que faz trailers. Com objetivo de deixar o filme mais leve. E dar uma pegada mais adolescente. Eu não tenho como dizer se foi uma decisão acertada ou não pelo fato de eu ter assistido na pré-estreia, em uma sessão cheia de adolescentes que riam alto de qualquer piadinha. Alem de ler em voz alta todas as obviedades das fichas dos vilões, (quase como um mantra, oque é assustador) eles repetem as falas, sempre que alguém diz que a Arlequina é maluquinha... (Dah... ela é maluquinha mesmo dah, dah, dah...) Me parece que isso funciona muito bem com um perfil específico de jovem.E ok... Vamos La... Se você não for exigente dá pra se divertir sim. O problema é quando assiste pela segunda vez, e os problemas saltam da tela como o péssimo 3D. (outra obviedade) O esquadrão é uma equipe tática urbana e deveria enfrentar situações nesse patamar. E não desastres globais ou seres mágicos. Seria bem mais simples de ocupar o tempo de tela com missões menores, interações e diálogos. Que mesmo poucos, funcionam bem. Acho pífio para quem tinha o objetivo de ser o “guardiões da Galaxia” da DC. E não venha dizer que não era o objetivo porque mesmo não dizendo, essa foi a expectativa que plantaram. A meu ver o tom e visual estão até no caminho certo. Mas falta um roteiro forte. O Esquadão Suicida ja é uma equipe mais pesado em seu cerne. Eles não querem estar naquela situação. E todas as missões sempre tinham uma baixa. A produção não se define como comedia nem como ação. E a edição displicente, só evidencia essa indecisão.O desenho da Liga da Justiça sem limites nos provou que é possível fazer um roteiro maduro PG13. As HQs já faziam isso e fazem até hoje. E recebemos mais um filme da Warner DC que não é sucesso absoluto. A DC precisa urgentemente de um Sucesso incontestável de publico e critica. Até o momento o filme do Flash perdeu o diretor e o filme da liga passa por reformulações. Veremos se Jeff Jones, o novo responsavel pelo universo DC. Conseguirá a partir de "Mulher Maravillha", ser a voz da razão no nucleo da Warner.Warner que é como o marido que sabe que a mulher está zangada, mas não sabe bem o porque, e nem como agradar. Mas entrega flores porque “dizem” por ai, que mulheres gostam de flores... é bem por ai...

Critica

Suicide Squad Warner Pictures

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