Análise de Games

Análise – Tom Clancy’s The Division

*As opiniões retratadas abaixo são de inteira responsabilidade do autor do texto, não retratando a opinião do site. Esse texto não contém spoilers do jogo.

Por Marlos Sanuto

The Division é a mais nova e ambiciosa aposta da ubisoft para esta geração. Um mix de MMORPG com mecânicas de shooter em 3ª pessoa que chegou e agradou até os mais incrédulos, inclusive este cético que vos escreve. Atrasos e notícias de downgrade fizeram parte da rotina de quem aguardava o título – porém seu lançamento movimentou a comunidade em seu fim de semana de estreia.

Sua trama se passa em Nova York, três semanas após um ataque viral disseminado através de notas de dólar. Se fazendo valer da Black Friday, o ataque se potencializa, e rapidamente se torna uma pandemia. Daí para frente é ladeira abaixo: serviços públicos paralisados, quarentena, saques, o caos. E é aí que você entra… seu personagem é uma espécie de sleeper agent. Um voluntário treinado, mas que leva uma vida comum, e é chamado apenas em situações extremas.

O gráfico está lindo. Distante do apresentado na E3 de 2013, e mesmo assim muito bem-acabado, com várias mudanças climáticas, partículas, e animais pequenos em cena. As quedas de frame são praticamente inexistentes. Vale dizer que tanto nas versões de Xbox One e PS4, os gráficos são similares. E nem mesmo o mapa gigantesco trará, ao jogador, problemas com loadings demorados.

Caos em Manhattan

A ambientação é um dos pontos fortes do jogo. Ruas desertas, carros abandonados, lixo, gangues, e pessoas cambaleando a procura de comida e remédios. Este é o mundo em que o jogador é inserido. Sua missão é tentar reestabelecer a ordem, enquanto reativa os serviços públicos básicos, como energia elétrica, postos médicos, e segurança. Inclusive, os três serviços citados são a trindade da sua base de operações, e classificam também suas missões.

Uma característica RPG está na customização das armas, bem mais que a dos personagens. E acredite em mim, você vai passar muito tempo customizando. As armas melhoram seus atributos que são divididos em dano por segundo, quantidade de vida, ou potência de habilidade. Você pode administrar entre características de tank, suport, ou dano massivo. Ou pode apostar em um equilíbrio dos 3 atributos.

Seus inimigos possuem 4 categorias distintas:

Rioters: acreditam na sobrevivência do mais forte, e você tem que tomar o que você precisa.
Cleaners: acham que tudo tem que ser queimado, e que essa é a resposta para o problema.
Rikers: são presidiários que fugiram durante o caos da prisão Rikers, e querem tomar conta das ruas de Nova York.
Last Man Batallion: são os mais organizados, militares, e também causam mais danos.

Gameplay

Seu enredo principal é contado nas ruas, com colecionáveis que são encontrados em becos, prédios infectados e esgotos da velha Manhattan. Seja com celulares perdidos, câmeras de segurança ou Ecos (Tecnologia que auxilia a reconstituir crimes). Mas a campanha inicial fica em segundo plano quando confrontada com seu viciante gameplay. A exemplo de Destiny, e com mecânicas inspiradas em Gears of War e Vanquish, The Division cria uma excelente experiência de combate, potencializada quando se monta uma equipe com quatro amigos. Mas se você é daqueles que não tem amigos e passa os sábados a noite jogando no escuro ao lado do pote de Nutella, não se preocupe: existe um ótimo mecanismo de match making, que te coloca rapidamente em um grupo! Também é possível, com muita facilidade, adicionar alguém que encontre pelo caminho ou nas zonas seguras, lugares espalhados pela cidade onde pode abastecer, comprar armas, suprimentos ou melhorias.

Um evento curioso são as filas para falar com os NPCs, uma vez que o jogo só permite um de cada vez e não há bugs de dois corpos no mesmo espaço – uma pitada de civilidade em um mundo tomado pelo caos. Mesmo com isso, devo dizer que faz muita falta uma mecânica de luta corpo a corpo. Quando alguns inimigos correm para cima, é quase impossível mirar, e o personagem acaba tentando acertar golpes no vazio, e morre muitas vezes.

Dark Zone

A Dark Zone é onde a coisa fica séria. É o lugar com maior nível de contaminação e sem monitoramento, onde se encontram inimigos mais poderosos e outros jogadores online que não hesitarão em matá-lo, por qualquer saque que imaginar que você possa estar carregando. Lugar onde o clima survivor se faz muito mais presente, e onde se encontram as melhores recompensas e melhores experiências, se você curte um PvP. Com uma contagem de pontos própria, é uma experiência completamente diferente da campanha principal.

Considerações positivas

A dublagem PTBR – foi uma grata surpresa, consegue passar a tensão e angústia pela situação calamitosa que se encontram. Não economizam nos palavrões, o que dá um ar mais realista.
Conceituação e design dos personagens e NPCs – Se você espera customizar seu rosto ou penteado super style para o fim do mundo, esquece. Todos são pessoas com rostos comuns. Todos têm rostos sofridos, até pela situação que se encontram. Isso se reflete também na roupa e na forma que monta seus artefatos. Tudo é muito escasso e sujo.

Considerações negativas

A pouca variedade de inimigos – Andamos pelos 15 distritos e encontramos sempre os mesmos encapuzados, com lança chamas ou alguma arma pesada. Sério que todo mundo usa o mesmo moletom e capuz?
A música – praticamente inexistente. Só aparece em alguns momentos para gerar tensão em algumas batalhas, com acordes subtônicos. Mas é claro que pode ser uma escolha técnica para destacar os sons ambientes. Já que a ambientação sonora é muito bem montada.
Ausência de algumas mecânicas – mecânicas como “head shot one Kill” ou lutas corpo a corpo fazem falta.

Conclusão

Da para notar que os atrasos fizeram bem ao The Division. Primeiro que a Ubisoft não poderia se permitir repetir os erros de outros títulos lançados a toque de caixa, com aspecto de mal-acabada. E segundo, para abaixar o hype que se criou em 2013.

Ubisoft lança um jogo redondo, funcional e que atende bem as expectativas. E já com a tendência de se tornar a nova febre nas transmissões ao vivo e gameplays, uma vez que a comunidade gamer já abraçou boa parte dos modos de jogo.

Você que assistiu o trailer da E3 e pirou com o cara fechando a porta do carro em cover, não se preocupe. Todas as portas de todos os carros, inclusive malas podem ser fechadas. Inclusive imagino que uma pessoa com TOC vai passar um bom tempo brincando de fechar portas de carro, já que é uma mecânica que não serve para nada… mas É LEGAL PACAS…

Uma das partes mais cativantes de The Division é o conceito que ele aborda do herói anônimo: o homem comum que sabe que não vai resolver a situação sozinho. Voce é apenas um elemento combatendo em uma frente. Isso é passado tanto no gameplay quanto nos diálogos das quests. É quando surge o sentimento de unidade, de fazer parte de algo maior. E sempre antes de dar logoff, dar aquela última olhada na missão mais próxima… o que torna sair do jogo, uma tarefa difícil.

Se a Ubisoft vai conseguir emplacar finalmente uma nova franquia, só o tempo dirá. O que sabemos é que ela já tem um plano robusto para futuras expansões, com 3 já anunciadas: Underground, Survival e Last Stand. E mais duas expansões grátis no mês de abril, que talvez incluam opções de “trade”, aprofundando ainda mais sua característica MMORPG.

Tom Clancy’s The Division é um ótimo jogo. Tecnicamente impecável. Difícil saber se conseguirá manter a robustez, mas vale a compra, principalmente para jogar entre amigos.

Tom Clancy’s The Division
Ubisoft

* Tom Clancy’s The Division está disponível para PC, PS4 e Xbox One