fegarusso 29 / 07 / 2020

Irmão ou maldição?

Publisher: Xbox Game Studios, Microsoft Studios
Developer: Press Play
Gênero: Adventure, Platformer, Puzzle
Plataformas: Xbox One, Microsoft Windows, Xbox 360, Nintendo Switch, PlayStation 4

TV Globinho que você controla

Deixemos isso claro logo de cara: prepare-se para morrer muito em Max: The Curse of Brotherhood. O jogo de plataforma e quebra-cabeça de maior sucesso da Press Play testará sua paciência com sua abordagem de "tentativa e erro" e controles exigentes - o que muitas vezes levou Max a mergulhar para sua morte mais vezes do que poderíamos contar. Com isso dito, a busca de Max para salvar seu irmão das garras do maligno Mustachio é algo que vai lhe entreter por muito tempo. The Curse of Brotherhood tem tudo a ver com você descobrir a solução por conta própria. E enquanto a frustração conseguiu aparecer algumas vezes, passamos a respeitar mais o jogo, enquanto pensávamos em como levar Max do ponto A ao ponto B sem que nenhuma dica irritante aparecesse na tela e sem que ninguém pegasse na sua mão e lhe dissesse o que fazer, como é bem comum nos jogos mais modernos.

Max: The Curse of Brotherhood tem o resultado gráfico de um desenho animado tradicional das manhãs de sábado (e isso talvez entregue a minha idade). Max, se sentindo cansado e irritado com seu irmão mais novo, Felix, que está lá brincando com seus brinquedos, lê em voz alta um feitiço na internet para se livrar dele. Para sua surpresa, um portal aparece em seu quarto e uma mão gigante agarra Felix e o puxa para dentro. Lamentando imediatamente o que ele fez, Max mergulha atrás de seu irmão para resgatá-lo antes que ele fique de castigo. Max se encontra em um mundo sombrio e perigoso, liderado pelo louco Mustachio, que tem sua própria agenda planejada para o irmão de Max. Com a ajuda de uma bruxa, Max deve usar sua canetinha mágica (Magic Marker. Traduzimos pra canetinha, mas pode ser marcador, canetão, caneta de lousa branca, etc) para superar o terreno traiçoeiro e as armadilhas do mundo.

A canetinha mágica de Max é sua única ferramenta de sobrevivência. No começo, você começará criando novas colunas onde Max pode permanecer. Mas, à medida que avança, você ganha o poder de criar cipós dos quais pode se balançar, disparar bolas de fogo e nosso favorito - jatos d'água que podem impulsionar Max pela tela com uma força incrível. A beleza desses power-ups ocorre nos níveis posteriores do jogo, onde você precisará usá-los em conjunto. Por exemplo, pode ser necessário anexar trepadeiras a plataformas elevadas que permitirão a Max atravessar um poço de lava. Ou atirar em um galho de árvore que você pode usar para acertar inimigos próximos.

Ah, se não fossem os controles...

Embora Max: The Curse of Brotherhood seja considerado um jogo de plataforma 2.5D, são os quebra-cabeças que ficam em destaque. Geralmente, existe apenas uma solução possível, mas isso não significa que resolvê-las seja menos gratificante. Sempre há uma maneira inteligente de misturar os poderes e o jogo nunca repete a mesma solução. O que pode ter funcionado durante um segmento anterior não funcionará em outro, o que nos obriga a pensar em novas maneiras de usar as habilidades.

Você estará usando sua canetinha mágica com bastante frequência ao longo da aventura de seis horas de The Curse of Brotherhood, por isso, é uma pena que as mecânicas não se sustentem como deveriam. Entrar no modo Magic Marker é tão simples quanto pressionar o gatilho direito; nesse momento, a inconfundível canetinha aparece na tela. Ela pode ser manobrada com o analógico direito para destacar partes específicas do ambiente que podem ser manipuladas. O problema é que o movimento é impreciso demais para desenhar círculos e linhas simples. Nós nos encontramos redesenhando galhos de árvores várias vezes apenas para acertar a forma. A mecânica do desenho fica mais irritante durante algumas das sequências mais cheias de ação que exigem que você reaja rapidamente. O tempo diminui drasticamente para lhe dar a chance de desenhar um galho ou videira para salvar a vida de Max, mas metade do tempo é gasto apenas movendo o marcador para o local certo. Felizmente, The Curse of Brotherhood tem um sistema de checkpoints que o coloca de volta à ação num ponto decente, então morrer nunca é algo tão frustrante assim.

Se você está jogando no Xbox One, o Press Play também tomou medidas extras incorporando o DVR embutido no sistema. Um punhado de momentos emocionantes e soluções de quebra-cabeças são gravados automaticamente para você. É um gesto legal, mas só se você quiser mostrar pros amigos que venceu um joguinho com visual de desenho. Isso não é uma critica para os gráficos de Curse of Brotherhood, porque eles são realmente fantásticos, mas sim uma crítica a uma função que será aproveitada por pouquíssimas pessoas. A jornada de Max é dividida igualmente em seis capítulos, e cada um deles possui uma paleta de cores muito agradável aos olhos. Gostamos particularmente de um nível estabelecido à noite, com alguns efeitos de luz verdadeiramente legais emanados de vaga-lumes que podem prejudicar nosso herói. Existem campos e encostas exuberantes que fazem você esquecer que está jogando algo que parece um desenho da Nickelodeon.

The Curse of Brotherhood acaba por falhar na história. Embora se fixe fortemente na busca de Felix, a narrativa tende a se perder pelo caminho. As coisas começam a se encaixar apenas no final, onde a mistura de solução de quebra-cabeças, ambientes e história parece mais natural. De certa forma, The Curs of Brotherhood nos fez querer chegar ao seu ato final. De fato, esperamos que o pessoal da Press Play tenha a possibilidade de continuar a série.

Conclusão

Max: The Curse of Brotherhood, embora pareça um jogo infantil, é tudo menos isso. Os gráficos de desenho animado podem ser atraentes o suficiente para as crianças tentarem, mas a curva de dificuldade acentuada pode ser demais para eles. No entanto, sob o disfarce fofo, há um joguinho inteligente e surpreendentemente divertido. The Curs of Brotherhood deixa você sem uma dica para ajudá-lo em seus quebra-cabeças (o que é uma coisa boa), mas seus controles frustrantes e pouco intuitivos geralmente atrapalham a criação de algo realmente especial. Fora isso, é um jogo realmente cativante.