Análise de Games

The Ninja Saviors: Return of the Warriors

Saudades do meu SNES

Publisher: ININ Games
Developer: ININ Games
Gênero: Ação, Beat-em-up
Também conhecido como: Ninja Warriors Once Again
Plataformas: Nintendo Switch/ Playstation 4

Jogabilidade 2D fluida e desing de inimigos bem agradável

The Ninja Saviors: Return of the Warriors é tanto o terceiro jogo de uma série quanto a terceira tentativa de se fazer o mesmo jogo. O primeiro foi em 1987, quando a Taito olhou para seu revolucionário gabinete de arcade Darius – que usava três monitores e dois espelhos para falsificar uma tela 3D – e decidiu que precisava de alguns ninjas. Criou The Ninja Warriors, um beat-em-up side scroller com uma vibe de ação e ficção científica dos anos 80 que canalizava muito bem o clima de O Exterminador do Futuro.

A segunda tentativa veio em 1994, quando a Natsume reinventou o jogo para o Super Famicom (conhecido como Super Nintendo, Super NES ou SNES nas terras tupiniquins) como The Ninja Warriors Again. E agora, 25 anos depois, a Natsume está de volta com esta terceira entrada na série, lançado em primeira mão no Japão intitulado The Ninja Warriors Once Again. Simplificando, este é o melhor Ninja Warriors feito até o momento.

Em grande estilo

A história apresenta uma distopia em ruínas na qual um ditador malvado tem uma “grande nação outrora opulenta”. Felizmente, um líder rebelde, Mulk, desenvolveu alguns protótipos de ninjas-robôs para caçá-lo. O cenário é tirado diretamente do arcade original, dando ao game uma atmosfera retro dos anos 80 que, de outra forma, seria difícil de conseguir com algum grau de sinceridade. É apresentado em uma introdução que é uma reprodução shot-for-shot de Ninja Warriors no SNES, mas com obras de arte redesenhadas em belos detalhes. De repente, seu personagem escolhido aparece na tela, atacando uma gangue de soldados: o jogo começa em grande estilo.

A ação é rápida e os inimigos enchem a tela

Jogabilidade 2D

A jogabilidade é superficialmente semelhante a outros beat-em-ups da era dos 16 bits, mas logo mostra sua personalidade. A ação, ao contrário de Final Fight e Streets of Rage, acontece em um único plano, então não há como se movimentar para cima e para baixo no cenário, apenas à esquerda e à direita. Isto pode soar como uma limitação, mas abre a porta para outras características de jogabilidade distintivas. Por exemplo, o conjunto de movimentos e o esquema de controle se assemelham a um Street Fighter mas mais leve do que um simples brawler, baseado em bloqueios, movimentos especiais e combos explosivos. É uma luta bastante detalhada, incentivando a criatividade e criando um fluxo muito legal à medida que você destrói seus oponentes. E esses oponentes vêm em massa e sem dó. O único plano de jogo disponível significa que todos estão alinhados, sem qualquer forma de contornar e cercar o seu ninja. Os bandidos mais fracos cairão com um único golpe, mas fazer isso pode ser um desperdício de um projétil útil, já que eles podem ser lançados em inimigos mais fortes, causando danos maiores e facilitando sua vida.

Mais gráficos simplificados?

Os gráficos são lindos, retrabalhos das antigas matrizes de 16 bits, de cenários de cidade de praia épicos e profundos, a animações de personagens elegantes e graciosas, com uma pitada de diversão característica dos anos 80. Os sons são primazes, as vozes estão bem colocadas e os efeitos certeiros. A música, enquanto isso, confia no brilho das trilhas sonoras dos jogos anteriores e permite que eles façam sua mágica no Switch, trazendo novas faixas a esse mix. Nada como quebrar crânios para o Mulk, ouvindo o shamisen sintetizado em 1987 pela banda da Taito: Zuntata.

Mais modos, mais personagens

Além de atualizar o clássico, a Natsume Atari criou dois personagens jogáveis extras, elevando o total de chars para cinco. Estes dois são acessados ​​depois de se vencer o jogo nas dificuldades normal e hard, respectivamente. Os novos personagens se encaixam naturalmente em torno dos perfis do trio original do SNES, mas cada um também tem um elemento de novidade que realmente faz valer a pena debloqueá-los. Eles não redefinem o jogo, mas como isso não precisava ser feito, então eles são bem-vindos.

Uma mudança mais revolucionária é a adição de um modo cooperativo para dois jogadores. O espaço de jogo alinha todo mundo em uma fileira, uma vez que não a movimentação se limite a ir de um lado para o outro. O resultado é que ambos os jogadores estão trabalhando na mesma multidão, em vez das lutas mais isoladas que podem acontecer em beat-em-ups que se espalham no eixo z. Jogar a quatro mãos é realmente uma experiência incrível, mas o jogo singleplayer é tão forte que você não sentirá a real necessidade de mais um player pra fazer companhia.

E você, está pronto?

Conclusão

Em 1994, este jogo era um tanto fácil. Ainda é. É muito acessível, de baixo estresse, divertido, mas pouco punitivo e não desafia o jogador. O modo Hard é melhor – e o chefe final fica complicado – mas torna-se evidente que se o jogo jogasse mais inimigos em você ou os tornasse mais difíceis, em breve ficaria repetitivo. A dificuldade é bem equilibrada para este jogo, mesmo que se ofereça pouco desafio.

O outro pequeno suspiro que ecoa de 1994 é o desejo de que houvesse mais etapas. Há apenas oito fases no total e algumas são bem curtas. Um novo estágio – talvez um desbloqueável para o jogo de arcade (com um final superior e diferente) – teria sido brilhante. Mas ser bom a ponto de se querer mais, não é realmente um problema.