Filmes e Séries

Crítica – Wonder Woman

It’s a man’s man’s man’s world

Esse texto contém spoilers de parte do enredo do filme 

Que filme! Como é bom ver uma mulher salvando o dia pra variar.

Antes de mais nada, devo dizer que não li nem leio quadrinho de nenhum herói/heroína. Mas não vou mentir que fiquei tentada a começar.

ENREDO

Diana é uma garotinha muito esperta que vive em Themyscira, uma ilha escondida do mundo dos homens. Filha da rainha das Amazonas, Hippolyta, e sobrinha da maior guerreira e capitã do exército Antiope (muito bem interpretada por Robin Wright), Diana cresce sonhando com o dia de se tornar uma grande guerreira.

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Da esquerda para a direita: Menalippe, Diana, Hippolyta e Antiope

Hippolyta ensina a filha a historia das Amazonas e como Zeus as criou para ajudar os homens contra o domínio de Ares, Deus da Guerra que, com inveja do amor de Zeus, plantou a guerra e destruição entre eles.

Um belo dia, um avião quebra a barreira que esconde a ilha e cai em seu litoral. Diana salva Steve Trevor, piloto do avião, e a partir daí começa a estória da transformação da menina sonhadora na maior guerreira de todos os tempos. E mundos.

Aqui tem a primeira sequencia de luta. E também vemos o tom que a diretora dará às cenas de ação. Utilizando a técnica de slow motion, o que se vê é um lindo balé coreografado que, em momentos, remete ao filme 300.

Ao descobrir que uma guerra estava sendo travada no mundo dos homens com o risco de extinguir a humanidade, Diana resolve abraçar seu destino e ir com Trevor para o front e acabar de uma vez por todas com o domínio de Ares.

É realmente o mundo dos homens. Ao acompanhar o piloto em sua ida ao front, Diana desembarca em uma Londres pós-Revolução Industrial, suja, cinza e dominada pelos homens. A diretora usa muito bem esse choque cultural como alívio cômico, bem vindo em um filme com uma carga emocional tão grande.

 

E é nessa carga emocional que a fragilidade de Gal Gadot aparece. Como atriz em começo de carreira e com uma personagem tão icônica, a atuação dela deixa a desejar nesses momentos que requerem um pouco mais de esforço em atuação. Nada que comprometa o filme e no geral ela está acima da média.

Vale ressaltar que em nenhum momento ela é chamada de Mulher Maravilha. Diana é sempre Diana. Apesar de sua transformação evidente, e não apenas nas roupas e acessórios. Mas na personalidade e atitude.

A guerra e suas fatalidades têm impacto em Diana e como ela percebe o mundo e a humanidade. E no meio dessa confusão ela encontra seu propósito. E é bonito de se ver na telona.

Como nem tudo são flores, alguns pontos deixaram a desejar. Nada que comprometa o belíssimo trabalho feito, mas que merecem algumas considerações.

Já comentei sobre a atuação de Gadot acima então, vou deixar esse assunto de lado um pouco.

O CG foi excessivo em alguns pontos chegando a deformar a atriz em algumas sequencias e causando um pouco de desconforto a quem está assistindo.

Apesar de ser um filme sobre uma mulher, aparentemente os homens ainda precisam ter um papel importante e um momento heroico para vender blockbuster. E para procriar.

A escolha do ator para o papel do antagonista a meu ver foi equivocada. Ele não entrega o que é esperado e visualmente não convence no papel.

CONCLUSÃO

Acima de tudo, é um filme de ação sobre a transformação de uma garota em uma mulher. Conquista, perda, choque de realidade, comédia e amor. Tem tudo ali na medida certa para lhe emocionar rindo e chorando ao mesmo tempo.

Sai do cinema com vontade de assistir de novo. De prestar mais atenção aos detalhes. E com muita vontade de levantar e bater palmas. Afinal, um filme com tantas mulheres fortes em um universo dominado pelos homens, por si só já vale o ingresso.

Crítica

Wonder Woman
Warner Bros. Pictures

*As opiniões retratadas acima são de inteira responsabilidade do autor do texto, não retratando a opinião do site.

  • Tici sempre mandando bem nas informações quentinhas!

    Gostei da precisão dos detalhes aqui descritos, e me fez ter mais vontade de assistir!

    Pq não é só sobre mulheres fortes… É sobre personagem feminina forte, diretorA, um trabalho em sobrepor à objetificação da mulher!

  • Víctor Lemeš

    Taquipariu, agora eu quero ver mais ainda esse filme. Logo eu, que não curto filmes de super heróis.

  • O Catedratico [Player Select]

    Belo texto mais uma vez. Nada como uma mulher pra melhor traduzir oque esse filme representa.

    Porem, ao contrario do mencionado do texto, achei a atuação da Gal Gadot um dos pontos fortes do filme. Depois de muitas criticas na sua escolha por conta de ser magra demais (para uma amazona), ela cativa no personagem. Basta reparar quando ela não é o foco da cena. Ela continua com o ar de curiosidade e esperança quase ingênua. A câmera parece procura-la. E também ganha muito na atitude e postura na hora do combate. Mais que tudo, ela agarrou o papel para si.

    Concordo com vc que o CGi estava “gritando”.

    Mas o importante é que foi finalmente um filme de “Heroi”. Alguém que se preocupa com as pessoas. Parafraseando em alguns momentos inclusive com o Super-Homem de 77 (Digo isso no sentido do heroísmo). As cenas em câmera lenta inclusive ajudaram a dar essa aura e confesso que me arrepiou em vários momentos.