Filmes e Séries

Crítica – Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos

Vale muito o ingresso principalmente pra quem como eu, nunca jogou

By Marlos Sanuto

Em um ano repleto de blockbusters, e filmes já consagrados, Warcraft chega sem fazer alarde. Com uma campanha de marketing discreta, e apostando no boca a boca dos fans, a Blizzard em conjunto com a Legendary, esperam dar o ponta pé inicial na nova fase de filmes baseados em jogos de vídeo games. Para isso o diretor Dunkan Jones, filho do saudoso David Bowie, tem a difícil missão de saciar os fãs e apresentar uma saga que cative o publico geral. Quem assina o roteiro é Charles Leavitt, que junto com Jones, são profundos conhecedores do “lore” de Warcraft.

“Venho colocar minhas impressões como filme apenas. Dada minha pouca, para não dizer nenhuma experiencia em warcraft.”

Devo dizer que foi uma grata surpresa ver que ele funcionou muito bem pra mim que não conheço nada do universo de warcraft. Claro que já joguei jogos de estratégia e pude perceber algumas referencias. A parte que mais me preocupava era a dos orcs. Pois esse filme foi vendido como o novo “Senhor dos anéis” e logo a comparação dos orcs é imediata. Pois o primeiro usava um trabalho impecável de maquiagem e uma palheta de cores mais escuras. Esse, utilizando uma palheta mais vibrante, e com a utilização do digital, se viu obrigado a buscar as mais novas técnicas para dar expressividade a eles. E devo dizer que ficou incrível. E sabendo disso, se gabam o tempo todo, abusando dos closes frontais. Não apenas como truques, mas para forçar uma empatia do publico. Diálogos de cotidiano e desing dos orcs também ajudam a dar personalidade a cada um deles. Quando enxergamos a tela lotada de orcs, conseguimos diferenciar cada um deles. E esse realmente foi um belo trabalho.

Pena que a grana parece ter parado por ai. Pois o mundo dos humanos funciona como o cenário virtual da RedeTV. Principalmente quando os atores são inseridos. Todas as panorâmicas da cidade parecem uma animação em “flash”. Alguns itens que compõe o cenário, como pedras, tem o aspecto nítido de aerolitos. E por algum poder nostálgico invisível, você espera que em algum momento elas falem.

Mesmo falhando em alguns aspectos, é valoroso como a Blizard/Legendary tenta acertar investindo em pontos chave. Como musica. Ramin Djawadi que assina a trilha sonora, acaba não brilhando como em outros trabalhos (Game of Thrones, Pacific Rim, e Iron Man). Mas faz uma trilha competente. Mas infelizmente não emplaca um hit que fique na mente.

Os atores do núcleo humano são bons. Nomes como Dominic Cooper (Preacher,2016), e Travis Fimmel (Vikings,2013) esbanjam carisma em seus personagens. Principalmente Travis, astro da serie Vikings. Sua estranha movimentação em cena e seu estilo de atuação ajudam a deixar seu personagem instigante e carismático. Mesmo eu não descobrindo porque ‘raios’ ele fica descalço do meio para o final do filme. (É serio, eu assisti ao filme inteiro e não descobri porque ele fica descalço. Se alguém souber, favor ponha nos comentários)

Porem, ao contrario do que diz a maioria das criticas, a apresentação dos personagens, mesmo secundários, foi boa o suficiente para querer saber mais deles. Gosto quando descobrimos as motivações aos poucos. A direção faz isso muito bem. E tem a acertada decisão de focar nos 2 protagonistas. O orc Durotan e o humano Anduin Lothar e em toda sua jornada de confiança mútua.

Historia

A primeira cena de apresentação dos orcs é de tirar o fôlego. E já cria empatia instantânea com determinado personagem. Confie em mim. É de arrepiar os cabelos. Os recursos naturais de seu mundo se esvaíram. Seu xamã Gul’dan, faz uso de uma antiga força mística proibida e abre um portal para outro mundo. A fim de tomar e conquistar novos recursos. O reino dos humanos que nunca ouviu falar em Orcs, tem a difícil decisão de se defender ou tentar algum tipo de acordo com os invasores. Dentro dessa trama vários personagens serão fundamentais. Destaque para o aprendiz de mago, que alem de alivio cômico tem um arco que certamente só tem a crescer nos próximos filmes. Destaque negativo para “Garona” mestiça, meio orc meio humana. O personagem é bom e pode ganhar importância na trama. Mas sua caracterização está em nível cosplay de Inês Brasil pintada com tinta guache. Serio… A solução para seus caninos de orc foi aqueles dentes de vampiro de plástico parece.

Mesmo assim a historia ganha no conjunto. Mesmo com uma pequena quebra de ritmo no inicio do segundo ato, o diretor Dunkan Jones constrói muito bem o arco final. Posicionando as peças, e utilizando de forma primorosa as tomadas aéreas em uma perspectiva isométrica, que lembra muito os jogos de estratégia. Utilizando não apenas como fã “service”, mas como elemento narrativo. A montagem de Paul Hirsch, mesmo econômica em meados do filme, conecta bem quando caminha para o terceiro ato.

E é ai que ele faz sua mágica. E você se dá conta de todos os arcos secundários se alinhando para uma grande saga que só está começando.

Conclusão

Apesar das duras avaliações da critica especializada, como filme, warcraft é muito competente de uma maneira geral. Talvez o mais competente filme de games com temática fantasia já feito até hoje. Claro que é a minha opinião como noob de warcraft e não conhecedor do seu universo.
Mas você que jogou toda saga. Perdeu horas no “Dota”, ops… “WoW”, jogando e baixando novos mapas. Você tem a obrigação de propagar esse filme ao Maximo de pessoas que puder. E pare de mi mi mi que não explicou seu personagem preferido e tal… Ele terá mais 2 filmes pra isso. Nem star wars explicou tudo no primeiro filme! Calma!

Mas no fim o grande fiel da balança será o publico comum, e o boca a boca. Todos que assim como eu, deram uma chance. Saíram satisfeitos. Tanto por um bom filme, quanto por uma curiosidade em saber para onde isso vai. Pois você termina completamente impactado pela obra e já ansioso para os próximos. A comparação com “Lord of the Rings” atrapalha mais que ajuda ao meu ver. Fazer uma fantasia com uma iluminação mais clara é tecnicamente muito mais difícil. E sem o orçamento ideal, pior ainda.

O Primeiro Encontro entre Dois Mundos começa com competência o resurgir de bons filmes de jogos. Mas a futura sequência deve se preocupar em abraçar mais ainda o público em geral. Buscar um melhor desenvolvimento de conceitos e explorar a rica mitologia desse universo para os fãs da Aliança e da Horda.

Critica

Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos
Blizard / Legendary

*As opiniões retratadas abaixo são de inteira responsabilidade do autor do texto, não retratando a opinião do site.