Filmes e Séries

Critica – Doutor Estranho

“Calma! Não é o melhor filme da Marvel. Mas poderia!!!”

By Marlos Sanuto
“O presente texto não contem spoilers significativos. Mas se voce é daqueles que considera qualquer comentario uma afronta grave. Aconselho assistir o filme primeiro de depois vir se divertir aqui”


O último filme de herói do ano era também o mais difícil de toda era Marvel nos cinemas. Apresentar um universo místico com uma pegada realista não foi nada fácil. Scott Derrikson, famoso por seus filmes de terror e suspense, acabou sendo uma escolha competente. E mesmo em tempos de austeridade, no que tange os super salários de suas estrelas, a Marvel preferiu investir um pouco mais no seguro com Benedict Cumberbatch como seu protagonista. A meu ver acertadamente, já que esse era o projeto mais arriscado da empresa e um que impacta diretamente no futuro de todo o universo já criado.

Mesmo não querendo criar grandes expectativas, ao ver a melhor tagline de todos os tempos: “As impossibilidades são infinitas”. Não teve jeito, fui pego. E digo que superou minhas expectativas no sentido de o que eu achava possível em um filme de herói PG13. Claro que no filme eu esperava um pouco mais de terror, e ocultismo, uma vez que se tem a missão de apresentar a dimensão negra, realidades fractais e personagens que visualmente se aproximam de um “diabão incandescente”. Porem como já se esperava a formula Marvel se faz presente e poda o filme em alguns pontos que poderiam ser bem promissores. Não me entenda mal, adorei o filme e realmente me surpreendi com muita coisa tanto do roteiro quanto visualmente. Mas fica evidente a mão pesada do homem forte da Marvel, Kevin Feige.

Por não ter um único personagem de alivio cômico, (o manto vivo não conta) uma ou outra piada fica fora de tom. Mas parece agradar o publico e a meu ver não é um grande problema. Ele se poda sim, quando cria um drama muito bom para seu personagem principal, apresenta conceitos “difíceis” para o publico médio de forma muito convincente e depois corta com uma piada ou ameniza a parte que seria mais perturbadora porque, claro, é um filme de herói.

Certamente é o filme mais maduro da Marvel. Com um ritmo inicial muito bom, e com uma montagem dinâmica o filme fica bem leve na questão tempo de tela. O primeiro ato apresenta a personalidade do protagonista e rapidamente seu drama, sem se perder nas explicações. Benedict Cumberbatch brilha de forma imponente e convence da importância da elegância gestual necessária para conjurar um feitiço.

Personagens

Stephen Vincent Strange é o personagem mais deplorável, pesado e com posturas questionáveis da filmografia Marvel. O foco nas mãos, sua importância na jornada e como isso afeta a mente do Doc. Strange são as partes que mais se permitem liberdades utilizando o bizarro e terror.

O vilão é um caso especial. Mads Mikkelsen, nosso velho conhecido “Le Chiffre” vilão de Cassino Hoyale, interpreta Kaecilius. Mais um vilão com problemas oculares (que a propósito está virando especialidade de Mads). Ele ate me convence como um bom vilão, o problema é que isso não é construído no filme. Toda sua história pregressa é apenas pontuada em alguns momentos por diálogos de terceiros. Isso não ajuda a criar empatia pois não termos o ponto de vista dele próprio. Talvez por essa decisão criativa ele tenha ficado prejudicado. Mas funciona bem como fio condutor da trama. Vai entender?!

Tilda Swinton faz um mestre ancião quase andrógeno. E foi uma escolha bem acertada, uma vez que seu arco é muito bem definido e fundamental para o entendimento desse novo universo. O restante do elenco de apoio é também sensacional, com ótimas performances de Chiwetel Ejiofor e Rachel McAdams, todos muito bem aproveitados no filme e chamando atenção sempre que aparecem.

Toda concepção sensorial do longa é espetacular. Tudo em prol de contextualizar essa nova visão do Universo Marvel. Inclusive na excelente trilha sonora de Michael Giancchino (um compositor que gosto muito) que também assinou trabalhos em Lost, Os incríveis e Up-Altas aventuras. “Inclusive Sr. Giacchino, eu notei sua composição amálgama do tema de Harry Potter seu malandrinho.” Tudo para referenciar outro bruxo. E na batalha de Nova York as cornetas da trilha de Matrix não estão lá por acaso. Sensacional!!! Só pela ousadia já vale 10/10 (que a Warner não perceba).

Efeitos Visuais

A parte visual certamente é unanimidade. Um mix de “Inception” com “Matrix” e muito ácido! Um deleite para os sentidos. Um dos poucos filmes desde Avatar que vale a pena ser visto em 3D IMax. Podendo inclusive ser o primeiro filme de herói a se sagrar vencedor de um Oscar. Stephane Ceretti que assina os efeitos visuais gabaritou, tem sido elogiadíssimo pela critica especializada e não esconde a empolgação. Desse que pode ser um grande passo para os filmes de heróis no reconhecimento da indústria.

Conclusão

Mesmo com a formula Marvel ainda presente, nota-se a vontade e até necessidade de tentar coisas novas. E Doutor Estranho dá esses passos mesmo tendo deixado de lado questões inerentes ao personagem como a parte de ocultismo e entidades malignas, devido a possíveis associações a algumas religiões, algo compreensível. De certa forma a explicação fica um pouco mais na pseudociência. Transferências de energia entre realidades, “Magia é a Ciência que não entendemos” e todo esse papo. E, afinal de contas, não é um filme Independente, é um Blockbuster que precisa atender a um publico gigante. Entendo! Gostei! Poderia ser melhor? Sim, se fosse dirigido por James Wan, pela Netflix! (Já pensou?!?!)
Fato: é um excelente filme e o resultado estabelece um lugar próprio para o Doutor Estranho, dentro do Universo Marvel, como a melhor apresentação de personagem desde Homem de Ferro.

Critica

Doutor Estranho
Marvel Studios

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