Filmes e Séries

Critica – Batman vs Superman “Dawn of Justice”

Esse é o filme da liga que merecemos?!

By Marlos Sanuto

Enfim chegou o dia em que testemunharemos o Alvorecer da liga da justiça. Estreiou o filme que esperamos desde meados de 2001, quando Frank Miller imortalizou em O cavaleiro das trevas, o embate desses dois ícones das HQs.

“Venho colocar minhas impressões do filme em uma primeira parte sem dar spoilers. Apenas para aqueles 3 ou 4 cidadãos que ainda tem duvidas, se deve assistir ou não o filme.”

Batman VS superman começa empolgante, apostando em Bruce Wayne como consciência inicial do filme e reapresentando um Batman mais sisudo, bruto, capaz até de matar se necessário. Ben Affleck não decepciona, nem mesmo como Bruce Wayne. Vemos aqui o personagem em sua chegada a Metrópolis no momento do embate final entre o homem de aço e Zod. Provavelmente inspirada na HQ “Marvels”, nos é apresentado um ponto de vista mais humano ao presenciar os superseres em ação. Nesse momento vemos um Bruce Wayne se negando a ficar impotente perante a destruição massiva, o que também contribui para construção de sua rixa com Superman. Alfred (Geremy Irons) funciona como o conselheiro de sempre, só que bem mais acido e sagaz em seus comentários. Tem as melhores sacadas e depois de anos de serviços prestados, parece bem mais despreocupado com a integridade física do patrão.

Henry Cavill retorna com um Superman ainda cheio de duvidas e pseudo dramas bem mau construídos. Fato é que dificilmente temos algum carinho por ele, já que é mostrado ainda mais inatingível e definitivamente como um Deus entre nós. Porém, como nem Jesus agradou a todos, existe muitos que são contra a sua presença, o que faria muito sentido no mundo polarizado de hoje. Cavill entrega um personagem que ainda tenta aprender com os erros, mas suas ações sempre causam prejuízo, principalmente ao arriscar vidas alheias para salvar a mulher que ama (não é piada, ele é julgado por isso). Com isso, o congresso é levado a tentar regular suas ações.

O filme tem um visual incrível, marca registrada do diretor Zack Snyder, assim como toda arte conceitual dos personagens, coisa que inegavelmente faz muito bem. Os fãs vão babar em quadros reproduzidos fielmente como nas HQs. Vários “easter eggs” e “fan services” (com direito a pose sexy da Wonder Woman com close na virilha, é serio). As lutas tem um tom épico, e extremamente bem dirigidas, no entanto, fica claro que as cenas icônicas foram pensadas primeiro, para depois pensar em como costurar a narrativa. Assim, um problema serio de ritmo é gerado. Erros de continuidade e cortes bizarros que dão ao filme um ar de vídeo clipe, com ótimas cenas, porém desconexas entre si, sendo sempre pontuadas com frases de efeito. A própria razão do embate dos dois heróis é muito mais de egoica que ideológica. Somando a isso, tramas secundarias que não levam a lugar nenhum.

Jesse Eisenberg, como excelente ator que é, está ótimo no papel de jovem vilão lunático cheio de maneirismos. Entretanto, passa longe de ser o Lex Lutor que conhecemos, uma escolha nitidamente visando a proximidade do publico mais jovem.

A mulher maravilha é uma das surpresas, pelo menos pra mim, que critiquei muito a escolha de Gal Gadot. Não pela atriz, mas confesso que por motivos estéticos bem sexistas. Sua presença permeia o filme com aparições pontuais. Não sei se dá pra chamar de apresentação, uma vez que ela parece já estar em seu filme, com objetivos próprios bem definidos e que nada tem haver com a trama principal. Não digo isso como demérito. Suas vestimentas já deixam aparentes detalhes de metal característicos de sua armadura. Quando entra em cena no embate final, pega pra si o filme. Eliminando com um poderoso brado, qualquer duvida de sua performance como a guerreira amazona.
Mesmo com problemas de bastidores, como a saída de David Goyer e entrada de Chris Terrio, é injusto dizer que o roteiro é ruim. Fica a impressão de mal editado ou dirigido. Pois muitas boas ideias ficam flutuando, e acabam não se conectando. O que acaba fazendo pesar as duas horas e meia de filme.

Dawn of Justice, mesmo com problemas, faz algo importante para o universo cinematográfico da DC Comics. Cria padrões visuais e estéticos para a formação da liga da Justiça. E isso ele faz muito bem. Lutas épicas em escalas absurdas, beirando o exagero talvez. É assim… Afinal são Deuses entre nós. Talvez não houvesse como fazer um filme desse porte de forma intimista. Analisando cada arquétipo e personalidade como queriam os fãs velhacos de 30 anos como eu. Assisti na sessão de pré-estreia e muitos bateram palmas de pé. Enfim.
Se você como eu tem mais de 30 anos e se incomodou com um Superman rebelde com cara sisuda, quase um vilão, ou com Batman pegando em armas e explodindo bandidos. Ou qualquer outra “desvirtuação” dos personagens que amamos por anos, temos que saber que esse sentimento de posse não existe. Saber que antes de paixão, a Warner vê números. E eles já estão muito atrás da Marvel. E dito isso, devolvo a pergunta titulo:
Esse é o filme da Liga que merecemos?
Como diz o amigo Cris Dias: “todo titulo que começa com uma pergunta a resposta é não”.
Eu já digo que: é a que temos. Agarremos-nos nela.

Com Spoilers

Batman VS superman – Dawn of Justice, é um filme ambicioso. E quer se levar a sério. Talvez seja seu maior problema: Se faz valer de pseudoteorias existenciais e filosóficas, tentando sem sucesso, dar uma áurea profunda a debates que se revelam rasos. “o que são heróis?” “como surgem os vilões?” “Devemos aceitar o Superman?” O conceito parece bom em um primeiro momento. Mas culmina em um debate superficial e expositivo. O que mostra que Zack Snyder não entende o conceito por trás desses ícones como Superman e Batman.

O homem de aço é retratado como inconsequente e não evoluiu nada desde a ultima batalha que destruiu a cidade de Metropolis. (a ultima batalha também é no centro de Metropolis, serio!) Tanto que ele continua a sacrificar pessoas inocentes, só para salvar uma Lois Lane que investiga casos que não fazem sentido pra história. Ela pesquisa uma bala que desde o inicio é revelada que é do capanga do Lex Luthor. É só olhar pro cara tatuado, minha filha. É o mesmo que esta do lado do Lex, coração. Caso encerrado.

Falando em investigação criminal, Batman que é o melhor detetive do mundo, investiga meses um suspeito conhecido como “português branco”. Coisa que se ele jogasse no Google imagens, saberia de cara que era um navio com o nome gigante escrito na lateral. Sério mesmo detetive?!?! Mas o que dizer de um Batman que usa armas de fogo quando necessário? Até uma criança sabe que o cerne do Batman é que ele não mata. Ele não atravessa essa linha temendo se tornar vilão. E por um trauma de infância que o perturba. Básico, certo? Então, quem teve a brilhante ideia de por uma ponto 50 no batmovel? Com a qual em uma perseguição, ele explode 3 carros de bandidos.

Se contarmos as mortes do morcego nesse filme, veremos que ele matou mais que Charles Bronson em “Desejo de matar”. Até em seus sonhos, o Batman Mad Max usa um coldre com pistola e quebra pescoços. Não quero viver em um mundo onde um Batman “crossfiteiro” incinera bandidos e o Superman é uma maquina de destruição, não o baluarte da justiça.
O vilão Lex Luthor está longe do sagaz humano de intelecto level 11 que conhecemos. Antes precisamos eximir de culpa Jesse Eisenberg, já que certamente ele fez apenas o que lhe foi pedido. Seu Luthor é mau porque sim, e usa tênis com terno porque é legal. Difícil imaginar que um cara que gagueja em um discurso público, iria bolar um plano complexo e sem sentido desses. Fiquei impressionado com a facilidade que ele conseguiu entrar na nave apenas com as digitais do Zod. (nave essa que está no centro de Metropolis e não em um deserto distante) E ainda ganhou um J.A.R.V.I.S. particular que o ajuda a modificar o corpo do Zod. Este que tem em seu DNA, o sistema de defesa mais idiota da galáxia, que para impedir a clonagem, ele transforma o corpo em um monstro indestrutível. Ótima ideia!
A única coisa que Lex Luthor fez de bom foi deixar o Power point com art desing da liga, pronto para o batman. Ele praticamente fundou a liga da justiça pros caras. Que inteligente.

Pra não dizer que não gostei do filme, a motivação para os dois pararem de brigar é boa, e nunca foi explorada nos quadrinhos. Achei uma ótima sacada. As lutas são ótimas, o problema é que quase todas estão no trailer, com exceção à última luta. Nesta, a trindade funciona como uma verdadeira equipe contra DoomsDay. Valeu como um sonho realizado. Uma pena a morte do azulão não gerar comoção alguma, já que TODOS sabem que ele “ressuscita” no terceiro dia. Como é mostrado inclusive na cena pós-creditos que é exibida antes dos creditos. “Sim senhor Zack Snyder, todos nos entendemos sua pegadinha com a pascoa…” 😉

Todo visual do filme é espetacular, como tem que ser. Se existe um legado positivo, tem que ser esse.
Levando toda essa brincadeira na esportiva, aconselho a todos assistirem. Vale cada ano da sua vida que você esperou. É um marco histórico dos filmes da DC Comics, e você não pode ficar de fora dessa. Torço para que seja um sucesso, e que algum fã inspirado pegue no futuro. Manda mais que agente quer. Tá pouco.

Critica

Batman VS Superman – Dawn of Justice
Warner

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