Filmes e Séries

Crítica – As Caça-fantasmas

Será que o ‘Hater’ salvou o filme?

By Marlos Sanuto

A equipe de marketing não teve uma tarefa muito fácil para promover “Caça-fantasmas”, a refilmagem do cult de 1984. A escolha corajosa de um elenco feminino chamou a atenção. Talvez até demais. Os primeiros trailers, bem ruins e confusos por sinal, deram inicio a uma campanha negativa que tomou conta da internet. Já não se sabia mais oque era sexismo, mimimi ou algo fundamentado. Tanto que o presidente de Sony, Tom Rothman em pessoa, veio a publico dizer que um possível fracasso não seria por conta da releitura com elenco feminino.

Mas o mestre das comedias Paul Feig soube assimilar bem as criticas. Fez concessões visíveis (como eliminar uma cena de dancinha ridícula). E entregou um ótimo filme, repetindo a parceria de sucesso com Melissa McCarty (“Missão madrinha de casamento”, “As bem armadas” e “A espiã que sabia de menos”).

No fim, o ponto forte do filme é justamente o casting feminino. A personalidade de cada uma é muito bem definida. Com destaque para Kate McKinnon que compõe muito bem a pirada Dra. Jillian Holtzmann, com uma pegada meio punk 80. E todas com um humor bem característico. Kristen Wiig (Saturday night Live) esta bem a vontade no papel da respeitada professora da Universidade de Columbia, Erin Gilbert. Que escreveu um livro sobre a existência de fantasmas no melhor (ou pior) estilo “Alienigenas do Passado”. Juntamente com Chris Hemsworth que brilha quando o roteiro permite e surpreende com timing de comedia em parceria com Kristen Wiig. Alem de emprestar “corpo” (literal e figurativamente) à ótimas piadas. Patty Tolan (Leslie Jones), é a funcionária do metrô de Nova York. Ela presencia estranhos eventos no subterrâneo, e se une as cientistas para investigar. Ela é aceita por conta de seu conhecimento das ruas, guetos e prédios da cidade em que cresceu. Daí vem minha primeira critica. Porque a única negra no grupo não poderia ser cientista. Parece mimimi mais incrível como mesmo sem querer acabamos caindo em estereótipos. Na franquia original o personagem de Winston Zeddmore seria o ex-militar que agregaria à parte tática do grupo. Faria todo o sentido se não fosse cortado o tempo de tela. E com a personagem Patty Tolan tiveram a oportunidade de corrigir esse equivoco. Mesmo com boas piadas antirracistas, acabamos caindo na velha zona de conforto. Mas nada que estrague o carisma da personagem. Todas funcionam muito bem juntas alias.

Durante o filme eu me questionei se o mesmo não poderia ser uma sequencia. Já que ele se assume como historia independente e sem conexão com o original. Mas porque então tanta referencia ao primeiro longa de 84? Inclusive com participações especiais dos atore originais. Porem, praticamente figurantes de luxo, e totalmente subutilizados. Pensando sobre, cheguei a conclusão que ele não se enquadraria em continuação, como muitos queriam, e nem reboot. Reciclagem seria a palavra. Durante a exibição você percebe alguns termos, conceitos e até piadas recicladas dos originais. Porem de forma bem feita e com uma liberdade que talvez uma continuação não permitisse. Ate mesmo a fotografia assinada por Robert D. Yeoman tenta emular o trabalho original de Laszlo Kovács. E permanece, de forma assertiva, a mesma ideia original dos “encanadores”. Que tem um trabalho sujo que ninguém quer fazer mas quando algo da errado, quem você chama?

Embora algumas piadas pareçam deslocadas, ou fora do timing, o tom da comedia agrada o grande publico. E no decorrer da trama vai ficando mais natural e só melhora. Fazendo inclusive humor com as próprias criticas recebida nas redes. A parte cientifica é muito bem explorada. Sem a necessidade de personagem orelha fazendo o papel do publico leigo. Quase todas são cientistas e conversam como tal. Com termos técnicos e pseudocientíficos tão avançados que poucos vão se atrever a questionar sua veracidade. Até a paleta de cores ultra saturada e o fato dos fantasmas terem uma áurea de neon mega colorida (que alias está bem na moda hoje com púbico jovem) tem uma explicação simples e convincente na trama.

Conclusão

Mesmo com um inicio de produção duvidosa o diretor Paul Feig e o produtor Ivan Reitiman (que dirigiu o original) conseguem fazer um filme divertido e honesto que resgata a franquia com muita dignidade. Visivelmente foi mexido, depois da onda de hate. Mas creio que até isso contribuiu para um filme sem excessos. A trilha original com uma pegada mais moderna ajuda a dar aquele velho clima matinê no fim de tarde. Diversão garantida para toda a família. E que pode redefinir o futuro dos blockbusters estrelado por mulheres.
Vamos torcer.

Critica

Ghoustbusters – Caça Fantasmas
Columbia Pictures

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