Filmes e Séries

Crítica – A Bela e a Fera

O Clássico da diversidade!

Por Ticiana Valle

“Atenção, esse texto pode conter spoilers leves.”


Ontem fui ao cinema assistir a versão live action de um clássico da Disney, premiado com 2 Oscars (Melhor Canção O Original e Melhor Trilha Sonora), e a primeira animação a concorrer ao Oscar de Melhor Filme, A Bela e A Fera.

Baseado em um conto francês de Gabrielle-Suzanne Barbot, Dama de Villeneuve, ficou popular depois que Jeanne-Marie LePrince de Beaumont resumiu e modificou a obra. O filme retrata bem essa nova fase da Disney que já tem na bagagem A Princesa e o Sapo,Valente, Frozen e Moana. Mostrando personagens diversificadas e tratando de temas como empoderamento feminino e diversidade.

E se tem algo que a Disney fez com competência nessa nova versão, foi mostrar a diversidade que existe atualmente de um jeito orgânico e natural.

É inevitável a comparação com o desenho e, nesse quesito a Disney não decepciona. O filme recria com perfeição cenas clássicas do desenho. Como o duelo vocal entre Bela e Gaston no começo, onde ela fala que espera mais do que uma vida provinciana. Incluindo a panorâmica da vila com a floresta que está ainda mais bonita no filme. E cenas icônicas como a xícara Chip fazendo bolhas com o chá para deleite de uma Bela maravilhada com a magia recém descoberta.

Personagens

Luke Evans entrega um Gaston tão insuportável quanto o do desenho. Dan Stevens, que representa a Fera/Príncipe Adam, está sensacional como uma Fera pedante, grossa e irônica. O mestre Kevin Kline foi subaproveitado como Maurice, pai de Bela.

Emma Watson como Bela, dá uma interpretação competente mas muito aquém da sua capacidade. Em muitos momentos lembra a Hermione, personagem que a consagrou.

Emma Thompson como Mrs. Potts, Ewan McGregor como Lumière e Sir Ian McKellen como Cogsworth dão um show à parte, com interpretações concisas e em harmonia causando risadas em momentos chave.

A surpresa fica com Josh Gad que interpreta LeFou, o fiel ajudante de Gaston. Claramente inspirado em Sancho Pança, nessa repaginada adaptação, aparece um sentimento que todos já suspeitavam mas nunca antes abordado pela Disney, a homoafetividade.

Mudanças do original foram bem vindas

Já entrando no próximo tópico das mudanças em relação ao desenho, a Disney merece um “standing ovation” pela coragem de abordar assuntos considerados polêmicos com tanta naturalidade. Começando já na primeira cena, vê-se muito negros em posição social elevada no baile do famigerado príncipe. A aparição de dois personagens homossexuais, um deles dando a entender que irá participar da próxima Drag Race (be free my children) é digna de orgulho. Em um mundo de Trumps, Bolsonaros e Felicianos, ver a Disney romper com esses preconceitos e reconhecer a diversidade cultural e sexual da sociedade é um pequeno passo em direção a um grande futuro.

Bela também sofreu pequenas mas não menos importantes mudanças. Ficou mais independente, se envolveu mais na vida da vila e enfrenta como ninguém as investidas de Gaston.

Apesar de ser um filme importante, algumas partes não corresponderam à altura do desenho. O show de Lumière ao som de Be Our Guest não representa a grandeza que foi mostrada no desenho, o vestido da Bela ficou muito simples comparado com os figurinos que já vimos a Disney produzir.

Considerações finais

É mais um degrau que a Disney galga em direção a representatividade e mudanças para se aproximar mais de seu público.

Um filme muito bom, com falhas, mas que não apagam o brilho e a importância dele nesse momento da história.
Parabéns Disney, ganhou mais uma fã.

Critica

A Bela e a Fera
Disney Studios

*As opiniões retratadas acima são de inteira responsabilidade do autor do texto, não retratando a opinião do site.