Análise de Games

Análise – Watch Dogs 2

Um excelente mundo aberto, com uma pegada tecnologica poucas vezes explorada, e uma visão do hackerativismo que foge do clichê!

Por Francisco Muller

Acho impossível falar desse jogo sem antes falar de seu precursor, que foi um jogo que gostei muito. Embora ache que Watch Dogs 1 fez um excelente trabalho em certos aspectos – como apresentar muitos personagens carismáticos, abordar temas bem pesados e tratar alguns perigos da sociedade moderna com a seriedade que merecem ser tratados – ficava devendo em alguns aspectos de gameplay. Algumas sacadas legais, como hackear os sinais de trânsito, eram usadas a exaustão em alguns casos, tornando as mecânicas repetitivas demais. Mas no fim achei o saldo do jogo muito positivo, e fiquei curioso para saber que tipo de abordagem viria em Watch Dogs 2.

A história começa com nosso protagonista, Marcus, fazendo seu teste inicial para entrar na DedSec, um grupo de Hackers com o objetivo de derrubar a CTOS. Logo após ser bem-sucedido em sua missão, que aparentemente não era algo fácil, Marcus conhece os outros membros do grupo e começa suas atividades para derrubar o “sistema”, que basicamente tem o objetivo de monopolizar o máximo de informação possível, e utilizar para seus próprios fins, sendo eles comerciais ou de manipulação em massa.

O segundo game começa com uma mudança no tipo de personagens que vão protagonizar a história, e trazendo algo mais perto do que seria nossa realidade de internet hoje em dia. O jogo acaba trazendo personagens mais jovens e abraçando um pouco da cultura geek, e a zueira das redes sociais. Os diálogos são recheados de memes e referências à cultura pop, o que na minha opinião ajuda muito o jogador se identificar e ter uma imersão daquela realidade. Mas mesmo assim, o jogo continua abordando problemas que o uso descontrolado da tecnologia pode causar, como o quase fim da privacidade para a população e o uso de dados pessoais para possíveis manipulações em massa.

Nos aspectos de jogabilidade o jogo trouxe algumas inovações, como aumentar a interações com os objetos “hackeáveis”. Agora você pode, por exemplo, mudar a direção de carros que estão em movimento, ou fazer carros que estão parados se moverem de uma determinada forma. Também foram adicionados novos elementos como usar um drone ou carrinho de controle remoto para realizar as missões. Outra coisa que o jogo aborda de uma forma sútil, mas eficaz, é o incentivo de armas não letais! Mesmo muitas das missões sendo stealth, você pode ser visto ainda não precisar matar ninguém.

O que mais me chamou a atenção são as missões, que parecem muito mais elaboradas e muito bem contextualizadas com o uso da tecnologia. Por vezes os personagens parecem estar realmente se divertindo com o que estão fazendo, o que torna experiências que poderiam ser cansativas, em missões mais agradáveis de se jogar. E mesmo o bom humor não faz com que os personagens deixem a responsabilidade de lado, nem o foco no seu objetivo.

CONCLUSÃO

Para finalizar fica aqui minha forte indicação para quem gosta dessa temática de tecnologia, e quer conhecer algo um pouco fora do padrão do hacker clichê, e também acredito ser uma porta de entrada muito boa para série.

Watch Dogs 2

Ubisoft

* Watch Dogs 2 está disponível para PS4, Xbox One e PC