Análise de Games

Análise – Unravel

Surpreendente, Unravel toca o coração e entra para a galeria dos jogos obra de arte! Não contém spoilers do jogo.

Por Andrews Reis

Vídeo games são arte. Já percebi isso há alguns anos, e mesmo assim encontrar um novo jogo que te faz lembrar desse fato, é extremamente gratificante e me faz querer gritar para meio mundo que vídeo game é um assunto para ser levado a sério.
Unravel é uma singela e doce surpresa que a desenvolvedora Coldwood Interactive, com o apoio da EA, nos trouxe nas últimas semanas. E por singela, não estou desmerecendo. Muito pelo contrário. Quero que você, caro leitor, compreenda que Unravel é uma singela, e linda, obra de arte dos games.

 

Como isto era lindo, quando era novo…

Em Unravel nos deparemos com uma senhora de idade, apreciando uma antiga foto de família. Ela sorri e se levanta com sua cestinha de tricô (afinal, toda boa vovó tem uma cestinha de tricô). E desta cesta, um pequeno novelo de lã cai e se desenrola. Eis que surge nosso herói, Yarny, um lindo boneco feito de lã, com apenas dois pequenos olhos – e nenhuma fala ao longo do jogo – mas que é capaz de transmitir um carisma como poucos personagens do mundo dos games.

Controlando Yarny, investigamos um velho álbum de fotos de família. O álbum está manchado, as fotos estão praticamente irreconhecíveis, assim como os textos usados para descrever as mesmas. Então partimos para a nossa missão! Procurar quadros com fotos de família espalhados pela casa, imergir nas memórias e histórias de cada um, e resgatar símbolos que vão nos ajudar a restaurar o álbum, e por consequência, as memórias da família.

 

Meus poderes de lã

Unravel é um jogo de plataforma com muitos puzzles e mecânicas de resolução que se aproveitam bem do fato de o personagem ser um boneco de lã. Sim, você consegue usar seus poderosos braços de lã para escalar objetos, atravessar plataformas usando o fio como cipó, e até criar pontes e trampolins usando o corpo de Yarny.

Conforme andamos com Yarny, deixamos um rastro com o fio que vai se desenrolando. Portanto, é importante pensar bem na estratégia de como chegar de um ponto a outro, sem que a lã de Yarny acabe.

 

Um dos jogos com a arte mais incrível que eu já vi

O que chama muito a atenção são os detalhes minimalistas, e a forma como o jogador realmente se sente do tamanho de um bonequinho. A arte do jogo é fantástica, e a escala em que objetos comuns do nosso dia a dia, como mesas, cadeiras, carros, até mesmo pássaros e alguns insetos, são colocados em perspectiva ao tamanho de Yarny, é de aplaudir.

Todos os aspectos gráficos de Unravel são incríveis, desde os quadros com fotos, até a imensidão do mar, as montanhas, rios, árvores gigantescas, neve, folhas secas e insetos. Tudo com uma qualidade inacreditável, que te fazem mergulhar naquele mundo gigante e tão perigoso para um boneco de lã. Talvez um dos jogos mais lindos que eu já tenha visto.

A música é a voz dos sentimentos

O que torna a narrativa de Unravel especial, é que não temos nenhuma fala ao longo do jogo. A narrativa é visual. Mas, e quando o jogo precisa nos demonstrar os sentimentos do pequeno Yarny? Eis que entra em ação a música de Unravel. Usando músicas orquestradas, e de partir o coração, Unravel consegue atingir em cheio nossos feelings enquanto nos preocupamos com as dificuldades que o pequeno Yarny passa.

 

Nostalgia… Infância… Família…

Mesmo com a arte incrível, o que eu mais apreciei enquanto jogava Unravel foi a sua história. Unravel me contou uma história extremamente pessoal e intimista, e ao mesmo tempo, comum a quase todo ser humano que viveu no nosso mundo. Nostalgia é a palavra chave para descrever o assunto que Unravel aborda. Nostalgia, infância, família. Temas muito tocantes, que me levaram a reflexões profundas após terminar o jogo.

 

Nem tudo são girassóis. Digo, flores!

Mas nem tudo são flores no jogo deste pequeno boneco de lã. Certamente ele tem seus defeitos, e o maior está na mecânica de jogo, que pode se tornar um tanto quanto repetitiva. Para tentar contornar o problema, o jogo se propõe a aumentar o desafio dos puzzles, e combinar ações do personagem na busca das resoluções. É efetivo, faz o jogador quebrar a cabeça e tentar encontrar novas soluções, mas mesmo assim sofre com uma certa repetição.

 

Resumindo…

Encontrei em Unravel uma das grandes surpresas desse ano. E posso sim dizer isso mesmo o ano estando apenas começando. Apesar dos problemas de repetição, os puzzles seguram a jogabilidade, enquanto a arte do jogo, o som e o enredo fantástico, tornam a experiência deste jogo, incrível.

O pequeno boneco de lã, Yarny, conseguiu conquistar um lugar no meu coração, se expressando apenas com pequenos gestos reflexivos, e olhares carregados de emoção e sentimento. Unravel está, sim, na prateleira dos jogos argumentos que provam, definitivamente, que vídeo game é arte.

Obrigado, Coldwood, por essa experiência incrível. Ficarei esperando o que mais vocês são capazes de nos trazer.

Unravel
Coldwood Interactive / Eletronic Arts

* Unravel está disponível para PC, Xbox One e PS4