Análise de Games

Análise – Uncharted 4: A Thief’s End

*As opiniões retratadas abaixo são de inteira responsabilidade do autor do texto, não retratando a opinião do site. Esse texto não contém spoilers do jogo.

Por Daniel Danlost

Uncharted é para muitos a principal franquia exclusiva da Sony, e com muito mérito, pois em 2007 o Playstation 3 ainda era visto com desconfiança e sem muitos jogos. Quando nasceu  o primeiro game desta franquia descobrimos o que esperar daquele console: gráficos incríveis, e uma aventura nos moldes de Indiana Jones com personagens mais que carismáticos. Em 2009 chega Uncharted 2, e esse sim fez um BUM na indústria. Uma evolução gigante em todos sentidos: visual, história, gameplay e narrativa, e não é à toa que é lembrado até hoje como um dos melhores jogos de todos os tempos. Em 2011 a tarefa de evoluir o que parecia impossível foi colocado a prova, saiu Uncharted 3, que não foi tão bem recebido pelos fãs. Talvez pela alta expectativa, mas para mim é um grande jogo que talvez não seja tão marcante como Uncharted 2, mas tem tanta qualidade quanto.

Eis que 3 anos depois chega Uncharted 4, para muitos um jogo desnecessário. Afinal, como evoluir ainda mais essa franquia que é querida por muitos? Como trazer algo realmente novo? Agora a promessa é dar um fim digno a Nathan Drake, Sully e companhia. Mas será que realmente precisava?

Uncharted 4 tem muita coisa similar a Uncharted 2, já que ele evolui tudo na franquia. A história, que não era o ponto forte, dessa vez tem impacto. O gameplay está mais fluído, e traz até elementos novos como a corda e o stealth. Os gráficos são realmente de nova geração, é a prova do que esses consoles podem nos oferecer nesse quesito, e em vários momentos, apenas com um olhar ou um gesto, você percebe o que o personagem esta pensando.

Mas isso só se destaca porque Uncharted 4 faz algo que eu nunca esperaria da franquia: humanizam os personagens.
Muito provável que isso aconteça pela experiência que a Naughty Dog teve com The Last of Us, e nesse game eles vão além, acredite. No jogo, Nathan Drake está meio que aposentado, vivendo uma vida “normal” ao lado de sua esposa Elena, até que seu irmão Sam – que até então nunca tinha sido citado na série – aparece precisando de sua ajuda em mais uma aventura. Com isso Nathan se encontra em um dilema, pois embora sinta muita falta de suas aventuras, sofre da dualidade entre se aventurar com o irmão, ou viver com sua esposa. E essa dualidade e suas consequências é uma das melhores coisas do jogo, tudo tem peso e consequências, e Sam é muito bem introduzido nesse game.

A relação entre os personagens é impressionante, principalmente pelos ótimos diálogos. Todos personagens tem sua importância e são bem escritos, com destaque para Sam, que mesmo estreando na série, é muito bem desenvolvido. Destaque também para Elena, que se torna peça importante na trama. Falando sobre os personagens, e evitando spoilers, posso dizer que os vilões de Uncharted 4 são muito bem desenvolvidos e causam o impacto que um vilão deve causar. Claro que comparando com os vilões dos jogos anteriores da franquia, que eu ao meu ver, eram fracos em sua maioria.

No gameplay, Uncharted 4 refina o que já fazia, trazendo a corda como novidade que nos auxilia em alguns puzzles, o jipe que enfim, agora é controlável, e a chance de marcar os inimigos, para passar por eles sem ser percebido, ou até mesmo limpar o mapa se escondendo. E embora seja legal ter essa opção, esse jeito de jogar fica bem abaixo se compararmos com outros jogos stealth, mas não compromete tanto.

O visual do jogo é impressionante e provavelmente o jogo mais bonito que já joguei até o momento. A expressão facial faz a diferença nos diálogos, e os cenários são marcantes e possuem ótima variação: na neve, lama, floresta, oceano, tumbas e até mesmo dentro de casa. Eles são ligeiramente mais abertos, nada comparável a Witcher ou GTA, mas essa diferença contribui, e muito, tornando o combate muito mais variado e frenético.

Tudo isso aliado a tudo que Uncharted já trazia de bom, o parkour bem feito, cenas de ação de tirar o fôlego (se pretende jogar o game um dia, não veja os trailers, sério) e o carisma dos personagens, tornam esse jogo excelente.
Realmente me surpreendi em ver Uncharted dando importância a questões humanas e pegando elementos de The Last of Us, já que o roteiro após a saída de Amy Hanning, responsável pelo primeiro e terceiro jogos, ficou a cargo de Neil Druckmann em parceria com Bruce Streley. Ambos estiveram em The Last of Us e trouxeram elementos do game para Uncharted. Por exemplo, você quase sempre jogará acompanhado de um NPC, só que ao contrário dos jogos anteriores, eles não só te acompanharão para trocar tiros, eles sempre terão diálogos que aprofundam a personalidade, ou o momento desses personagens. E é nisso que o jogo brilha, o game tem mais cutscenes, mais não depende delas para desenvolver os personagens ou a trama. É um Uncharted mais focado na história, e isso me agradou muito. Em Uncharted 4 teremos cenas memoráveis de ação, mas teremos também cenas memoráveis com diálogos ou até mesmo de silêncio. A relação de Nathan com Sam, Helena, Sully, são bem feitas e bem conduzidas durante o game, claro que nada tão profundo como em The Last of Us, até porque em Uncharted a proposta é outra, mas é tão bem feito quanto.

Uncharted 4 possui um modo multiplayer competitivo, com modos bem básicos, como mata-mata, ou o modo de conquistar áreas. Achei bem divertido, principalmente pela adição de elementos místicos, agora como em COD, você tem uma pontuação da qual pode equipar armas, bombas, ou esses elementos sobrenaturais que apareceram nos outros jogos, até completar o limite Maximo de pontos, isso me agrada, pois,da ao jogador mais possibilidades, seja focar mais em armas, equipamentos ou em itens, por exemplo. Outra característica boa do multiplayer é a variedade para caracterizar seu personagem, seja com roupas, ou até mesmo com dancinhas. Lembrando que o multiplayer de Uncharted 4 terá atualizações gratuitas durante 1 ano, é o que promete a Naughty Dog para deixar esse modo mais robusto.

CONCLUSÃO
A Naughty Dog fechou bem, como prometeu, a franquia Uncharted, embora eu ainda acredite que teremos outros jogos futuramente. Uncharted 4 é uma homenagem aos personagens e os fãs da franquia, quem jogou os três jogos anteriores terá muitos momentos nostálgicos e especiais no game, com um final que foge de clichês (morri de medo disso acontecer). Terminamos Uncharted 4 com uma sensação de dever cumprido, e já com saudade desses personagens que conhecemos e gostamos a 10 anos, e isso é bem difícil de se ver nos games, um final muito bem feito a uma franquia, mais um grande feito da Naughty Dog.
Entre erros e acertos de Nathan Drake, nesses 10 anos do qual o acompanhamos, vimos um amadurecimento do personagem, mesmo sem perder muito do lado inconsequente, criança e até mesmo burro. Assim também a franquia Uncharted, que evoluiu em muita coisa, mas ainda não é perfeita em outras tantas. Mas afinal, o que vale mesmo é termos histórias para contar e lembranças das aventuras incríveis que vivemos. E quem sabe não surge uma nova?

Uncharted 4: A Thief’s End
Naughty Dog / Sony

* Uncharted 4: A Thief’s End é exclusivo para PS4