Análise de Games

Análise – Tales of Berseria

*As opiniões retratadas abaixo são de inteira responsabilidade do autor do texto, não retratando a opinião do site.

Por Mackson
(Texto pode conter spoilers leves do inicio do jogo)

A série “Tales of” é a principal franquia de JRPGs da Bandai Namco, que existe antes mesmo da fusão entre as empresas (Bandai e Namco), que começou láááá em 1995 com o Tales of Phantasia, querido por muitos fãs da série e de JRPGs, e hoje conta com mais de 20 jogos, somando jogos da série principal e spinoffs, com diversos jogos aclamados como o próprio Tales of Phantasia, talvez o mais famoso devido ao anime, Tales of the Abyss e com certeza não podemos esquecer de Tales of Vesperia (#PortPraPcPlsBandai).

Desde o início, Tales of já se diferenciava da grande parte dos rpgs, por seu sistema de combate diferenciado. Diferente da maioria que era baseado em turnos, desde o primeiro jogo já era utilizado um sistema baseado em ação.
E isso evoluiu até o que temos hoje em Tales of Berseria, mas isso ficará para depois.

História – Maldições, perdas importantes e vingança

O jogo começa com uma cutscene em anime, que já é tradição na série Tales, que mostra jovens fugindo no meio da noite, apesar da iluminação vermelha da lua, onde já somos introduzidos a protagonista do jogo, Velvet.
Nessa cena, ela está fugindo dos monstros que despertaram pela “Praga”, junto ao seu irmão Laphicet, e é encontrada pelo seu cunhado Artorius. Alguns minutos depois, ela escuta o grito de sua irmã Celica, e a vê empalada por dois raios de luz (isso é diferente na versão japonesa).

10 anos depois, a tragédia se repete, e dessa vez quem perece é seu irmão Laphicet, pelas mãos de Artorius, e da mesma forma que sua irmã morreu, empalada por raios de luz (dando a entender que quem matou Celica também foi seu marido, Artorius). E como ainda é pouco, ao tentar salvar Laphicet, Velvet tem seu braço arrancado por Artorius, e acaba ganhando um braço demoníaco no lugar, braço esse capaz de consumir demônios, humanos, exorcistas ou qualquer outro ser vivo.

Depois de lutar contra os demônios da “Praga”, Velvet descobre que os demônios na verdade são pessoas da vila em que ela viveu, e que ela acabou de matar eles. Enfurecida ela parte para cima de Artorius mas é derrotada, e é levada para uma prisão onde é mantida presa por 3 anos até que conseguiu escapar.
Agora o objetivo de Velvet é vingança contra Artorius por ter matado seu irmão. E durante sua jornada, entram diversos membros para o grupo, como já é clássico em JRPGs.

Esses personagens são bem diversificados, tanto em aparência quanto em personalidade e até mesmo o que eles são no mundo, a party tem demônios, Exorcistas e espíritos (chamados no jogo de Malaks, que são basicamente “summons” dos exorcistas, mas com vontade própria e podem ser independentes). A química entre esses personagens é muito boa e divertida, e faz você criar um sentimento de empatia com eles.

Jogabilidade – Ainda é um JRPG apesar de diferente (?)

Enquanto andamos pelo mundo, podemos interagir com NPCs (não todos, apenas os que tem balões em cima indicando que existe um diálogo ali), coletar itens.
Em determinados momentos, aparece um indicador na tela falando para você apertar uma tecla (triângulo no PlayStation 4), ao fazer isso irá ativar uma pequena “cutscene” de interação entre os personagens, muitas vezes comentando sobre o que acabou de acontecer. Essas interações entre os personagens são bem divertidas, muitas vezes puxadas pro lado cômico e servem de alívio cômico, mas ajudam muito a consolidar a personalidade de cada um e fazer você gostar mais ainda deles.

E, diferente do estilo clássico dos JRPGs, mas clássico na série Tales, não temos batalha aleatória, os inimigos estão andando pelo mapa, e caso você encoste nele, você é levado para o cenário onde acontece a batalha.
Nesse, o sistema de batalha é algo um pouco diferente do que tivemos nos outros Tales. Você associa uma habilidade a um botão, como já era antes, mas agora existem “fases”, em que a ordem que você pressiona o botão da habilidade, irá alterar a habilidade usada. São 4 fases, mas não significa que você pode usar 4 habilidades desde o começo, pois além disso, ainda há um medidor chamado de “Alma”, onde no inicio da batalha você recebe 3, e isso funciona mais ou menos como a sua Stamina, 3 almas significa que você pode usar 3 habilidades em sequência, mas ao fazer isso, você não consome a “barra de almas” inteira, então pode executar outro combo.

Derrotar um inimigo aumenta seu contador de almas em 1, então você poderá usar 4 habilidades, até um contador máximo de 5 almas. Quando se tem 3 ou mais Almas, o jogo permite que você use a “Libertação da Alma”, em que o personagem se transforma e seu combo reseta, permitindo que você extenda o combo. Ainda existe o medidor de “ME”, que vai até 3, e chegando em 3 você pode executar um golpe especial. Enquanto não chega em 3, você pode trocar um personagem da sua party por outro, já que na batalha você controla apenas 1, outros 3 são controlados pela IA e ficam 1 ou 2 na reserva (quando sua party fica completa). É possível gastar 1 ME para trocar um personagem por outro, mesmo que ele tenha morrido.
Trocando pelo personagem que você controla, irá também estender o combo, o que abre um leque muito bom de possibilidades.
Mas nada disso é dado pra você de cara, o jogo tem uma boa curva de aprendizado e vai te ensinando as coisas aos poucos.

CONCLUSÃO

Tales of Berseria é sem dúvida um título muito bom de JRPG, que mostra que o gênero ainda tem muita força e tem espaço no mercado, apesar dos jogos japoneses terem congelado no tempo quando o quesito é aspectos técnicos, Berseria não te deixa incomodado e não parece jogo de PlayStation 2.
O carisma dos personagens e o direcionamento da história te prende e faz você querer saber mais, e o gameplay da batalha é fantástico e só ele já basta pra você se divertir.
É um título recomendadíssimo pra fãs de JRPG e anime, e se você não é fã, talvez devesse dar uma chance, devido ao sistema de batalha bem dinâmico e não faz você dormir (no meu caso eu ainda consigo cair no sono mesmo assim).

Tales of Berseria

Bandai Namco
PC, PS4