Análise de Games

Análise – Rise of the Tomb Raider

Ps Análise 05*As opiniões retratadas abaixo são de inteira responsabilidade do autor do texto, não retratando a opinião do site. Esse texto não contém spoilers do jogo.

Por Daniel Danlost

Em 2013, nas mãos da Crystal Dinamics,  Tomb Raider ressurgiu com a grande responsabilidade de renovar e trazer de volta um dos ícones dos games nos anos 90: Lara Croft. E ela conseguiu mais que isso. Além de trazer uma personagem muito mais humana e carismática, fez de Tomb Raider um jogo muito mais equilibrado, pegando referências de outros jogos mais atuais, e fazendo o jogo, mesmo com alguns problemas, ter sucesso e gerar expectativa para uma continuação. Eis que a continuação chega em 2015, exclusivamente (temporário) para Xbox One e Xbox360, mas com outra responsabilidade. Agora com o nome de Rise of Tomb Raider, o game precisava ser ainda mais completo e bem acabado, provar que a personagem Lara Croft tem potencial nessa nova roupagem, e não ser apenas uma mulher que sofre muito, e além de tudo isso, se destacar num ano com inúmeros jogos de qualidade. Posso dizer que a Crystal Dynamics conseguiu. Vamos aos fatos.

A primeira coisa mais perceptível ao começar Rise of the Tomb Raider é seu visual, que esta incrível, mesmo no Xbox360 o trabalho foi muito bem feito, e realmente usou o limite do console sem retirar conteúdo ou funcionalidades importantes. Na nova geração, tanto os personagens, cenários, paisagens, animais, tudo esta impecável e por vários momentos eu me pegava olhando alguns cenários por alguns segundos. O game agora veio dublado para nosso idioma, o português, e esta bem localizado, assim como todos os textos com legendas também. Não notei nenhuma falha na localização, apesar de achar estranho, no início, a voz de Lara Croft, mas foi mais pelo costume mesmo.

Não só nos gráficos mas Rise of the Tomb Raider evolui em tudo o que o jogo de 2013 fez, e segue a risca a fórmula dele também. Não espere grandes novidades ou inovações. No gameplay tudo esta mais fluído e com mais possibilidades: algumas bombas diferentes, produção de munição a qualquer momento e um foco um pouco mais em coletar recursos. Porém tudo que estava no jogo anterior, nesse quesito, volta em Rise of the Tomb Raider, upgrades em armas, árvore de habilidades dividas em três categorias (habilidades de sobrevivência, de combate e de exploração), e agora o arco e flecha não esta tão roubado quanto no jogo anterior, mas ainda é bem divertido de utilizar.

rise-tomb-raider-gameplay-reveal-08Lara curtiu esse local.  Fonte: Rise of the Tomb Raider.

Como disse anteriormente, a fórmula do game de 2013 se mantém, quase que sem novidades. Porém elas existem, e a maior delas são as tumbas, que no jogo anterior quase não apareceu. Nesse game as tumbas aparecem em forma de missões opcionais. Posso considerar que é uma das melhores coisas do jogo, divertidas, um pouco desafiadoras, já que são puzzles, e na maioria das vezes recompensadoras, já que sempre que completada, dá ao jogador alguma melhoria importante de habilidade ou de equipamentos, e até mais informações sobre a história. No game também tem missões secundárias, onde você deverá ajudar alguém com alguma tarefa, não acrescenta em nada na história, e aparenta esta ali apenas para inflar o game, mas não prejudica também, já que aparecem em número reduzido. As variações de cenários ainda são um ponto bem positivo do game, áreas mais abertas, fechadas, com gelo, florestas, ruínas, o jogo é bem diversificado. Outra novidade bem vinda é o aprendizado de Lara com novos idiomas, embora o uso disso no jogo seja bem limitado. No game, Lara precisa melhorar seu nível de determinados idiomas para conseguir entender escritas, e com isso, descobrir locais de tesouros no mapa.

Lara Croft como personagem é muito interessante, no game, agora mais madura, podemos ver que a Crystal Dynamics acertou mesmo, inclusive corrigindo coisas que viraram piadas no jogo anterior, em Rise of the Tomb Raider, não temos mais os amigos inúteis dela, os gemidos de Lara quase que não aparecem no game, e até as mortes violentas do primeiro game foram reduzidas. Lara tem potencial para ser uma excelente personagem… pena que muito disso se perde pelo fator mais fraco do jogo: sua história.

O maior dos problemas continua sendo sua história, que apesar de melhorar um pouco comparado ao jogo anterior, ainda se mantém bem clichê e previsível. Em Rise of the Tomb Raider, Lara está atrás de uma lenda pesquisada por seu pai, que dizia existir um antigo profeta que teria uma fonte da imortalidade. Porém Lara não está atrás desse artefato sozinha. O jogo tenta justificar as ações do vilão do game, mas não tem êxito, tudo é feito de uma forma bem previsível, ou seja, o vilão tem seu motivo para querer o artefato, mas para isso, mata muita gente, acaba com civilizações e muito mais. Só porque pra história convém? Sim.

202509_screenshot_03_lEi, vocês estão bem? Acho que não.  Fonte: Rise of the Tomb Raider.

Lara, apesar de estar mais madura e ter muito sobre sua relação com seu pai, e esse lado mais família e humano, ás vezes é obrigada a matar a sangue frio seus oponentes, de uma maneira que nem o Trevor de GTA 5 faria. Isso em conjunto com outra falha do jogo, que é o combate em excesso, quebra um pouco a personagem. O combate não chega a ser ruim, mas também não é um primor, e o jogo te obriga, principalmente no final do game, a entrar em tiroteios com inúmeros inimigos. E isso não acrescenta em nada, e parece apenas estar querendo trazer mais dificuldade ao game. Contudo as melhores partes são quando Lara precisa agir com cautela, sem chamar a atenção e debilitando os inimigos um a um. Talvez o uso das tumbas na missão principal, diminuindo os tiroteios, balancearia mais o jogo.

O game não possui mais o modo multiplayer, porém tem agora um modo expedições, que nada mais é que os cenários do jogo principal com modificadores e pontuação para competir com seus amigos, e cartinhas que podem ser adquiridas com o dinheiro do jogo, e que podem te dar vantagens nesses desafios. Não me lembro de ver nada a respeito de microtransações, e o game tem uma boa duração, que varia de acordo com o que o jogador faz, mas mesmo se seguir apenas a história principal terá por volta de 13 horas de jogo. Lara continua se ferrando muito, embora um pouco menos que o jogo anterior, e os inimigos embora não sejam nada demais, são pouco melhores que os do jogo anterior – não sei se tinha como piorar -, embora siga na mesma pegada, de local estranho, com uma pitada de sobrenatural.

Não encontrei nenhum bug no jogo, apenas algumas quedas de frames em algumas cutscenes com explosões, mas quase que imperceptível, e o jogo apesar do visual incrível consegue rodar liso no console. E seu final embora tenha problemas com batalhas demais, e ser meio que previsível, fecha bem o game.

laratombraiderDos inúteis do primeiro jogo, ainda resta um.  Fonte: Rise of the Tomb Raider.

CONCLUSÃO

Rise of the Tomb Raider é um ótimo jogo, que segue a risca a fórmula do jogo anterior, com pequenas adições. Porém o jogo, assim como Lara Croft, estão mais maduros e ainda sim, ambos tem muito o que aprender, principalmente com uma história melhor e menos previsível, e tentar ser um jogo mais humano e menos sobre tiros. Ainda assim, se destaca num ano tão difícil, e com certeza é um dos melhores jogos do ano, com potencial para ser algo melhor ainda em sua continuação. Sim, o jogo deixa claro que teremos mais Tomb Raider e mais Lara Croft, pois é difícil não falar de um sem o outro, e isso é bom. Que venha mais Tomb Raider.

Rise of the Tomb Raider
Crystal Dynamics / Square Enix / Microsoft Studios

PS 8.5

*Rise of the Tomb Raider está disponível para Xbox360 e Xbox One, sairá no começo de 2016 para PC e no final de 2016 para PS4.