Análise de Games

Análise – Mirror’s Edge: Catalyst

*As opiniões retratadas abaixo são de inteira responsabilidade do autor do texto, não retratando a opinião do site. Esse texto não contém spoilers do jogo.

Por Daniel Danlost

Em 2008 Mirror’s Edge surgiu com uma proposta inovadora de trazer um game de ação em primeira pessoa, focado no parkour com uma protagonista feminina forte e marcante, em cenários bem diferentes, o game apesar de ter ótimas ideias, não fez sucesso. Porém conforme os anos foram passando, mais pessoas falavam sobre o game e sempre surgia um boato sobre a volta de Mirror’s Edge, até que agora, em 2016, o game volta numa espécie de reboot com as mesmas características do game anterior, porém num mundo aberto. Será que agora deu certo?

Mirror’s Edge: Catalyst traz de volta a protagonista Faith, agora mais nova, mas ainda sim, uma corredora (pessoas que ganham a vida fazendo missões de entregas sob os prédios de Glass, meio que escondido do Conglomerado, que é um conjunto de empresas que praticamente domina a cidade, praticamente controlando a população, porém eles fazem vista grossa, aparentemente não se importando tanto com esses corredores). Faith se reencontra com seus velhos amigos, porém, ela vive sonhando com acontecimentos do seu passado que a incomoda muito, além de ter uma dívida com um perigoso personagem, que precisa ser quitada. A dinâmica do jogo é essa, conforme você vai fazendo missões para seus amigos, vai conhecendo os perigos da influência do Conglomerado na cidade e mais ainda sobre o nebuloso passado de Faith.

Visualmente o game é bonito em sua estética, apesar do visual “clean” e futurista, já característico da franquia, parece meio igual e repetitivo, os personagens não são muito desenvolvidos, mas acabam cumprindo seu papel para a trama do jogo, trama essa que curti muito por conta da protagonista e seus mistérios. Faith é uma personagem interessante que é bem conduzida, é uma mulher forte, mas sem exageros, uma personagem que não sofre com alguns clichês de personagens femininos que temos em outros jogos, pena que esse destaque se limita a ela, os outros personagens só aparecem para cumprir seu papel na história, sem muito carisma, uma grande decepção fica por conta da trilha sonora, que no game anterior foi muito marcante (as vezes, até mais que o jogo), em Catalyst você nem percebe a existência dela.

É visível que a EA quando decidiu trazer de volta a franquia com Mirror’s Edge: Catalyst, se preocupou muito em trazer conteúdo para o game, e nesse ponto ele peca, o mundo aberto, que talvez seja a maior novidade do game é desnecessário, por muitas vezes você terá que fazer os mesmo caminhos e isso incomoda e prejudica muito o jogo, mesmo com o excelente gameplay de parkour do jogo. Esse mundo aberto traz também missões paralelas, muitas delas são entregas, ou time trials, acaba cansando rápido também, o destaque fica para o sistema online que traz uma competição com seus amigos em pontuações ou corridas em menor tempo, essas missões podem ser criadas pelo próprio jogador num trajeto que fez num bom tempo, por exemplo, como já é feito em outros jogos de corrida. Mas em Mirror’s Edge: Catalyst por ter um gameplay fluido no parkour, você poderá se divertir desafiando seus amigos ou tentando bater um tempo deles.

Falando de gameplay, as lutas estão dinâmicas, com uma arvore de melhorias, onde a cada missão feita, você ganha experiência e pode desbloquear upgrades de movimentos ou de luta, alguns equipamentos são adicionados conforme você progride na história. A batalha no game poderia ser melhor, caso os inimigos tivessem uma IA melhor, sim, eles são bem burros, a ponto de poder usar a mesma estratégia do inicio ao fim do jogo para cada tipo de inimigo, uma pena. O mundo aberto do jogo é um mundo morto, você não tem contato com o mundo, pessoas ou ver na prática o impacto que o Conglomerado faz com a população, tornando assim um mundo vazio e mal estruturado, por diversas vezes, mesmo estando num mundo aberto, tive que passar pelos mesmos lugares de sempre para chegar em diversas missões, prejudicando inclusive no visual estilizado do game que acaba se tornando monótono e repetitivo, realmente esse mundo aberto criado para o jogo só o prejudica.

CONCLUSÃO
Mirror’s Edge: Catalyst tinha potencial e a EA sabia disso, adequando o jogo para os moldes que vemos hoje em dia como padrão na industria, inflar o game, colocá-lo em um mundo aberto com missões secundarias, tudo isso achei desnecessário, quando você foca na história e principalmente na personagem Faith, você percebe que aquele poderia ser o caminho a seguir, uma pena que isso não aconteceu, forçar um jogo de mundo aberto desnecessário com missões apenas para inflar o game foi um erro grande. Mirror’s Edge: Catalyst entre muitos erros e alguns acertos não veio pra fazer diferença, é um jogo que traz de diferente o seu estilo único, e tirando sua protagonista, não traz mais nada de marcante.

Mirror’s Edge: Catalyst
EA Digital Illusions CE / EA

*Mirror’s Edge: Catalyst está disponível para PS4, Xbox One e PC

  • João Marcos Silva

    Esse jogo foi muito potencial desperdiçado realmente, a beta acabou com qualquer hype que eu tinha.

  • thiagojsantos

    Ainda não joguei o primeiro, pelo visto posso jogar sem medo é parar nele mesmo né

    • Danlost

      Nao precisa jogar o primeiro, tranquilo.

  • Marlos PS

    Sempre achei esse jogo com uma proposta muito boa, mas muito mal aproveitada. Desde o primeiro.