Análise de Games

Análise – Deus Ex: Mankind Divided

*As opiniões retratadas abaixo são de inteira responsabilidade do autor do texto, não retratando a opinião do site. Esse texto não contém spoilers do jogo.

Por Daniel Danlost

A franquia Deus Ex sempre foi referência em dar liberdade ao jogador para seguir sua campanha, dando inúmeras opções de gameplay. Você pode ser mais letal ou não, focar em se tornar um hacker expert, ou até mesmo um ninja no modo stealth. Embora a franquia tenha seus fãs, sempre foi considerado um jogo de nicho, mas em 2011 isso mudou. Com Deus Ex: Human Revolution a franquia ganhou atenção de mais jogadores. Trazendo toda liberdade característica num game mais moderno, apesar de pequenos problemas, o jogo foi bem visto pela crítica e por quem jogou. Eis que em 2016, enfim, chega Deus Ex: Mankind Divided, e com muita expectativa, o game pretende corrigir e melhorar ainda mais o que foi Human Revolution, e se tornar um jogo mais popular.

Deus Ex: Um tipo de homem dividido

O game é um FPS com muitos elementos de RPG, numa temática cyberpunk e focado no stealth. Embora o jogo te dê a opção de ser um Rambo, o jeito mais divertido de jogar é hackeando e explorando possibilidades de passar sem fazer muito barulho. E para isso o game te dá inúmeras opções para usar os tais implantes biônicos a seu favor, desde ficar invisível, até soltar uma explosão ao seu redor. É claro, tudo isso tem limites, e você terá que gerir sua bateria, que por sinal acaba bem rápido, e sem ela você é um humano frágil e comum.

Mankind Divided se passa dois anos após Human Revolution, em 2029, e é uma continuação direta do game anterior. Aqui já fica o primeiro elogio ao game, em sua introdução ele resume o game anterior inteiro em uma cutscene que tem em torno de 13 minutos, nível kojima, rs o que é excelente para quem não jogou o anterior, e até mesmo para quem jogou, mas não lembra de muita coisa que foi o meu caso. Isso basta para te deixar ciente do mundo que encontrará.

O stealth é uma das diversas maneiras de encarar o jogo

O protagonista é Adam Jensen, um cara que já utiliza desses implantes, e só está vivo graças a eles, e que agora trabalha para a Interpol e está atrás de alguns terroristas que andam se aproveitando do momento tenso que o mundo está passando devido os acontecimentos impactantes do final de Human Revolution. E é aqui que o game se destaca, com uma história que começa confusa – por ter inúmeros nomes de organizações, pessoas e afins – e em poucas horas ela toma jeito e você se encontra. A história sempre tenta te surpreender, muitos plots twist, alguns previsíveis, outros nem tanto, acabam por te segurar na história. Destaque para as missões secundárias que te colocam em situações complicadas e aprofundam a imersão desse mundo caótico presente no game.

Uma crítica nessa parte do jogo, é que comparado ao seu antecessor, Mankind Divided é bem mais contido. Um exemplo é que ele praticamente se passa apenas em Praga, na República Tcheca, ao contrário de Human Revolution que se passava em vários lugares do mundo. Mas isso não afeta muito a qualidade do jogo nesse aspecto, pois mesmo assim ele acaba por trazer cenários com boa variedade.

Adam Jensen, um personagem cheio de estilo

Outro destaque do game são esses cenários. Pela liberdade que encontramos, e por sempre termos no mínimo 3 maneiras de passar por eles. E as opções são variadas, a liberdade característica da franquia está presente no jogo. Contudo, embora Praga seja grande e o game simule um mundo aberto em alguns momentos, o jogo é linear nas missões, deixando aberto apenas como você vai decidir passar por elas. O bom é que a exploração do jogador é recompensada, e isso nunca é demais.

O visual do game é ok. A nova engine da Eidos, chamada Dawn Engine, cumpre bem o seu papel, principalmente em conjunto com a situação que o jogo cria em Praga. Os cenários criados ajudam a ressaltar o preconceito e discriminação com os aprimorados, que é visível em todos os locais, e em todos os momentos. Porém, a mesma não se destaca em seu visual minimalista, principalmente nas animações de rosto. Em alguns diálogos, onde surgem opções de escolha, esse defeito fica ainda mais visível, mesmo assim nada que prejudique a experiência. Destaque também para a escolha de cores utilizadas, que veio para corrigir um defeito do seu antecessor, Human Revolution, onde tudo era muito escuro e dourado.

Foco nas expressões faciais de Adam

O game chegou totalmente em Português nas legendas e áudio, mas dublagem em Português (BR) não está muito boa. Caso o jogador se incomode, o jogo te dá a opção de mudar o idioma da dublagem e legenda dentro do jogo, e isso é ótimo. O único bug que encontrei enquanto jogava, foi nos corpos abatidos no chão, que não se comportam de forma real, parecendo mais corpos de papel. Percebi algumas quedas de fps em determinados momentos (joguei a versão PS4), mas isso deve ser consertado num patch que sairá na data de lançamento do game.

Mecanicamente o game cumpre bem o seu papel, principalmente num dos maiores problemas de Human Revolution: o combate. Houve uma melhora significativa nessa mecânica, inclusive no início, o jogo te dá 3 opções de controle: um igual ao Human Revolution, um feito para Mankind Divided e um padrão dos jogos FPS. Além disso, as escolhas nesse game ter mais peso no jogo e no mundo criado, dando um peso maior ao fator RPG.

A trilha é muito boa, um tom futurista que varia entre momentos calmos e de tensão. Os inimigos, embora ainda esteja longe do ideal, possuem uma IA melhorada: eles tentam te cercar, não esquecem de você do nada, mas ainda agem de maneira burra de vez em quando, e acredito que esse é um problema geral dos games atuais, não tem jeito.

Detalhamento de uma das armas do jogo

Um PLUS que o game traz é o modo Brach, onde você controla um hacker que tenta se infiltrar nos servidores mais seguros, a procura de informações confidenciais para vende-las, e conseguir melhorias de equipamentos e habilidades com esse dinheiro. Me lembrou muito o modo VR Mission de Metal Gear Solid, só que mais complexo e variado, e são mais de 70 níveis para enfrentar. É uma boa opção que dá uma maior longevidade ao game. Não que precise, pois, a história do game tem em torno de 20 horas em sua missão principal, fora algumas missões secundárias que valem a pena serem feitas.

CONCLUSÃO

Isso é Deus Ex: Mankind Divided, uma clara evolução do jogo anterior, corrigindo os problemas que existiam, porém, sem inovar e arriscar muito. Um bom jogo que por ficar um pouco na sua zona de conforto acaba perdendo a chance de ser maior do que é, mas ainda é altamente recomendável para fãs do gênero, e jogos com foco na história. Para mim Deus Ex é o mais próximo que teríamos de um Metal Gear ocidental, e isso é bom, fica a dica.

Deus Ex: Mankind Divided
Eidos / Square Enix

* Deus Ex: Mankind Divided está disponível para PS4, Xbox One e PC