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Análise – Assassin’s Creed Syndicate

Ps Análise*As opiniões retratadas abaixo são de inteira responsabilidade do autor do texto, não retratando a opinião do site. Esse texto não contém spoilers do jogo.

Por Daniel Danlost

A Ubisoft sofreu um duro golpe com Assassin’s Creed Unity. O jogo tinha diversos problemas de bugs, loadings e framerate, causando a ira até mesmo dos fãs, e isso foi reconhecido pela própria Ubisoft. Portanto, a missão da Ubisoft era reconquistar os fãs da sua franquia mais rentável, com um bom jogo, e que em hipótese alguma poderia sofrer do que Unity sofreu. E sim, Assassin’s Creed Syndicate não comete os mesmo erros de seu antecessor, e ainda traz algumas pequenas novidades, porém, sem arriscar ou mudar muito. Vamos aos fatos.

Assassin’s Creed Syndicate ficou a cargo da Ubisoft Quebec, um núcleo da Ubisoft que até então tinha sido responsável pela talvez melhor DLC da franquia, a Freedom Cry de Assassin’s Creed Black Flag. É bem provável que isso tenha sido positivo para Assassin’s Creed Syndicate, afinal, uma nova subdivisão ficando responsável pela sequência de uma franquia de tanto sucesso, mas que a cada ano vinha se desgastando, poderia ser uma boa solução, e até é. Acontece que mesmo assim, o game é desenvolvido por várias subdivisões da Ubisoft, e provavelmente por isso, ele seja obrigado a manter muito do que o torna uma franquia desgastada. Uma pena.

O game se passa na Inglaterra, em plena Revolução Industrial na era Vitoriana, e estamos na pele dos irmãos Fryes, Evie e Jacob. A Inglaterra esta sob posse dos templários, comandados pelo mega empresário Crawford Starrick, e cabe aos irmão Fryes enfrentar a burguesia e deixar Londres nas mãos do povo novamente.

Falando das novidades primeiro: a maior de todas é o fato de existirem dois protagonistas, e que a qualquer momento podem ser controlados. Jacob é um cara com mais força física, e de personalidade forte, sempre arruma confusão e quer a todo custo dar porrada nos templários. Já Evie é uma mulher forte, porém mais ágil e veloz, tem uma personalidade mais sóbria e esta focada em seguir o trabalho de seu pai, que estava atras de um artefato do Éden. Essa diferença de personalidade e objetivos entre os irmão é a melhor coisa do jogo, e os tornam personagens muito carismáticos. Eles se desentendem, como bons irmãos, não concordam com a atitude um do outro, mas se ajudam e se completam na história do jogo. Evie é claramente uma resposta da Ubisoft para a polêmica que se deu anos atrás sobre Assassin’s Creed ter ou não uma personagem feminina, e Evie é sim uma ótima personagem em todos os quesitos.

ac1O que Graham Bell esta aprontando?  Fonte: Assassin’s Creed Syndicate

Outra novidade, só que agora no gameplay, é que em Syndicate os personagens principais possuem um gancho que permite a eles se locomoverem mais rápido, agora escalar ou ir de um ponto a outro ficou muito mais prático, no maior estilo Batman. Praticidade talvez seja a palavra perfeita pra definir o jogo, chega daquele monte de ícones no mapa, existem bem menos coisas para se fazer,  porém o que aparece no mapa está bem mais interessante. Além disso o mapa é dividido em distritos, e cabe a você conquistar cada distrito com a ajuda de sua gangue. Quando você conquista um distrito acontece uma briga de gangues no maior estilo Gangues de Nova York.

Agora também podemos a qualquer momento melhorar nossas armas e habilidades. Uma outra coisa que sentia falta e está de volta nesse jogo é a importância de personalidades históricas no game. No jogo eles não afetam a história principal, porém cada um tem algumas missões quase como que uma campanha própria, e tem muita gente conhecida, como Alexander Graham Bell, que ajuda o jogador com algumas de suas invenções, Charles Dickens e seus casos sobrenaturais, Karl Marx que precisa de sua ajuda para por em prática seu plano e até a Rainha Vitória aparece no game.

Outro ponto positivo que se mantém é a arte visual e retratação da época, e está impecável, crianças trabalhando em indústrias, as ruas sujas de Londres, o povo pobre revoltado com a clara diferença social e até as indústrias e locomotivas poluindo estão bem retratados no game, assim como o Big Ben e o Rio Tamisa. Nisso Assassin’s Creed sempre foi referência, e continua a fazer muito bem.

Agora temos também status de armas, roupas e as skills do jogador que podem ser desbloqueados ou melhorados conforme ganha-se pontos e dinheiro, e pela primeira vez na franquia vejo que isso faz diferença. Os inimigos agora tem level, e se você tiver num level 3, por exemplo, e bater de frente com um inimigo level 8, dificilmente conseguirá levar alguma vantagem. A sua gangue também pode ser melhorada com habilidade, por exemplo, usar armas de fogo, e carruagens mais fortes. O uso dessas carruagens é outra característica do jogo, porém achei-as meio estranhas de se controlar, mas é algo que não compromete.

ac3Essa é a minha gangue, sorria pra foto!  Fonte: Assassin’s Creed Syndicate

Agora vamos aos problemas de Assassin’s Creed Syndicate, o game apesar de ser mais “básico” em tudo, não usa isso a favor da história, que parece ser mais do mesmo. Ainda sinto falta dos grandes vilões da saga Ézio. Starrick nesse jogo pouco aparece, e quando aparece, é um vilão bem caricato e sem profundidade alguma. A história no presente aparece pouco como sempre, mas pelo menos da um passo a alguma direção, ao contrário dos últimos jogos que pareciam enrolar, mas não espere nada de especial dessa parte.

O game ainda possui alguns bugs, mas nada comparado ao Unity. Os loadings me incomodaram pois demoram um pouco mais que o normal, e é visivel que o uso de NPCS foi diminuído em comparação com Unity. Inclusive tem inimigos repetidos a todo momento, devem existir apenas uns 5 tipos de inimigos, e isso é bem caído. Mas é provável que a Ubisoft tomou esta decisão para que o jogo não sofra com os problemas que o Unity sofreu. Syndicate é um jogo melhor acabado mas bem menos ambicioso. As casas são quase todas fechadas, me lembro que no Unity quase todas eram acessíveis, assim como palácios, Igrejas e afins, nada disso existe em Assassin’s Creed Syndicate. Quanto ao controle, o jogo segue bem parecido com o que vimos no Unity.

O game também não tem nenhum modo online, sem multiplayer e nem o promissor cooperativo que existia no Unity, que embora não funcionasse, tinha um bom ideal. As microtransações estão presentes, não curto essa idéia, mas por não ter multiplayer acaba não influenciando muito. Embora os protagonistas tenham diferenças de personalidades, no gameplay ambos são bem parecidos, acredito que eles poderiam ter maiores diferenças. Embora as batalhas estejam mais violentas, o que não faz muito sentido na história, elas ainda são bem fáceis. O game esta totalmente localizado e com boa dublagem e legendas em Português, exceto alguns NPCS que não foram dublados e falam em Inglês de vez em quando.

Reunião AC SyndicateVamos tomar uma antes dessa missão?  Fonte: Assassin’s Creed Syndicate

CONCLUSÃO

Assassin’s Creed Syndicate reencontrou seu eixo, sendo um game mais enxuto, tirando muito do que reclamam da franquia, sem missões desnecessárias, menos coletáveis, mais missões de assassinatos com possibilidades diversas, foco em protagonistas carismáticos e até com uma outra protagonista feminina que aparece em plena Primeira Guerra Mundial, conforme avançamos no jogo,  assim como uso de personalidades históricas e algumas mecânicas que trazem um ar de frescor pra franquia. Mas ainda continua sendo o Assassin’s Creed que conhecemos. E isso pode ser bom pra quem é fã, ou ruim pra quem não quer mais jogos anuais.

Assassin’s Creed Syndicate
Ubisoft Quebec / Ubisoft

*Assassin’s Creed Syndicate está disponível para Xbox One, PS4 e posteriormente PC.